Republicanos pressionam Trump após truculência do ICE em Minneapolis

Cenas chocantes do assassinato do enfermeiro Alex Pretti, baleado por agentes do ICE em Minneapolis, trouxeram desconforto para figuras proeminentes do Partido Republicano. A violência empregada na operação de combate à imigração acendeu um alerta sobre a perda de apoio popular, principal bandeira do governo federal.

A repercussão negativa levou a contatos apreensivos com o presidente Donald Trump. Como resultado, a Casa Branca parece ter amenizado sua estratégia, com a retirada do comandante da Patrulha de Fronteira, Gregory Bovino, e o envio de Tom Homan, considerado mais moderado, para supervisionar a operação.

Conforme noticiado pela mídia americana, republicanos ligados ao presidente manifestaram preocupação com o risco político que o partido corre nas eleições de novembro. A política de deportação em massa, que antes era um ponto forte, pode se tornar um problema devido à percepção de excessos.

Candidato republicano desiste em Minnesota citando ação do ICE

O primeiro sinal de racha ocorreu em Minnesota, com a desistência do republicano Chris Madel de concorrer ao governo do estado. Madel justificou sua decisão pela discordância com a operação federal contra a população local. Ele, que já prestou assistência jurídica a um agente do ICE envolvido na morte de uma escritora, reconheceu que a operação federal “perdeu o foco e foi longe demais”.

Madel criticou a prática do ICE de invadir residências com mandados civis assinados por um único agente da Patrulha de Fronteira, classificando a ação como inconstitucional. “Não posso apoiar a retaliação declarada contra os cidadãos do nosso estado, nem posso me considerar membro de um partido que faria isso”, declarou em vídeo ao abandonar a campanha.

Segundo ele, as ações de republicanos nacionais tornaram “praticamente impossível para um republicano vencer uma eleição estadual em Minnesota”. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, rotulou Madel como terrorista doméstico, enquanto o comandante Bovino elogiou a ação de seus subordinados.

Stephen Miller acusa vítima e imagens desmentem versões oficiais

Stephen Miller, um dos arquitetos da política de imigração da Casa Branca, chegou a acusar Alex Pretti, a vítima, de ser um “aspirante a assassino”. No entanto, as imagens da morte brutal do enfermeiro desmentiram essas versões, que foram apresentadas sem provas concretas. Isso expôs o incômodo dos republicanos.

A pressão republicana sobre Trump variou desde pedidos por uma investigação sobre a morte até a retirada completa do ICE do estado. O senador republicano Ted Cruz, do Texas, expressou em seu podcast que “intensificar a retórica não ajuda e, na verdade, prejudica a credibilidade”.

Cruz incentivou o governo a “ser mais moderado, reconhecer a tragédia e dizer: Não queremos que ninguém, nenhuma vida seja perdida, e os políticos que estão jogando gasolina nesta fogueira precisam parar”. Trump parece ter cedido aos apelos, mas a capacidade dos republicanos de interromper as ações arbitrárias dos agentes federais ainda é incerta.