Direita organiza ato em Brasília com foco em Nikolas Ferreira e Silas Malafaia, mas sem Michelle e Flávio Bolsonaro
Um grande ato em defesa de Jair Bolsonaro e contra o que organizadores chamam de “perseguição política” está programado para ocorrer em Brasília neste domingo, 25 de fevereiro. A manifestação, que visa pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a rever o regime de prisão fechado do ex-presidente, é liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e conta com a confirmação de presença do pastor Silas Malafaia.
A expectativa é de reunir milhares de pessoas, embora o evento aconteça longe da Esplanada dos Ministérios. A segurança do Palácio do Planalto foi reforçada preventivamente. A ausência de figuras importantes como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro levanta questões sobre a unidade e as estratégias do grupo.
Enquanto Michelle Bolsonaro teria sua ausência justificada pela necessidade de cuidar do ex-presidente, inclusive no preparo de suas refeições, aliados apontam um possível receio de desgaste com o ministro do STF Alexandre de Moraes. Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência e atualmente em Israel, pode participar remotamente, dependendo de sua agenda e do fuso horário.
Silas Malafaia como principal articulador e a ausência de Michelle e Flávio
O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e considerado uma figura religiosa influente no bolsonarismo, é um dos nomes fortes confirmados para discursar no encerramento da caminhada de Nikolas Ferreira. Malafaia tem elogiado a iniciativa de Ferreira, vendo-o como um “líder jovem, guerreiro” e com grande alcance nas redes sociais, ideal para ocupar o espaço deixado por Bolsonaro.
“Eu vou estar lá, claro”, afirmou Malafaia, destacando que Nikolas “acertou” ao organizar a manifestação. O pastor expressou indignação com o que chama de “esculhambação” promovida pelo governo Lula, e por ministros do STF, além de citar o Banco Master e o INSS como alvos de sua crítica. Malafaia também revelou ter coordenado manifestações anteriores para Bolsonaro a pedido do próprio ex-presidente.
Por outro lado, a ausência de Michelle Bolsonaro, que teria apelado a Alexandre de Moraes por prisão domiciliar para Jair Bolsonaro, levanta especulações. Fontes indicam que ela pode estar evitando desgastes com o ministro. Já Flávio Bolsonaro, embora possa se manifestar remotamente, está em Israel, e sua participação presencial é improvável.
A cisão com Tarcísio de Freitas e a estratégia de não convidar políticos proeminentes
Um dos pontos de tensão recentes foi o cancelamento da visita do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) a Jair Bolsonaro, interpretado como um sinal de distanciamento e recusa em aceitar Flávio Bolsonaro como candidato definitivo à Presidência. Apesar de uma nova visita ter sido agendada e o governador ter reconhecido a candidatura de Flávio, Tarcísio não participará do ato em Brasília, aconselhado por aliados a deixar o “rescaldo do recente atrito passar”.
Os organizadores optaram por não disparar convites formais para outros pré-candidatos da direita ou caciques políticos. A intenção é que a adesão seja espontânea, focando nos participantes da caminhada de Nikolas Ferreira, que se iniciou em Belo Horizonte e percorreu o trajeto até a capital federal desde a última segunda-feira, 19 de fevereiro.
A caminhada de Nikolas Ferreira e a estrutura modesta do ato
A caminhada de Nikolas Ferreira, que tem como objetivo defender a anistia para Jair Bolsonaro e para os presos do 8 de Janeiro, reuniu, ao longo do percurso, outros apoiadores como os deputados Carlos Jordy (PL-RJ), Luciano Zucco (PL-RS) e Rodrigo Valadares (União-SE), além do senador Magno Malta (PL-ES). Alguns apoiadores relataram exaustão e até lesões, como o ex-vereador Fernando Holliday, que machucou o joelho.
O ato final está previsto para ocorrer na Praça do Cruzeiro, na região central de Brasília, durante a tarde. A estrutura será modesta, sem previsão de carros de som ou telões. A chegada da caminhada é esperada no final da tarde pela BR-040, com recepção pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF), uma das organizadoras do evento.