Trump Lança “Conselho da Paz” e Enfrenta Resistência Global, Brasil Busca Fortalecer a ONU
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou ao mundo o seu novo projeto, o “Conselho da Paz”, uma iniciativa que visa atuar na manutenção da paz e na reconstrução de áreas de conflito, com foco inicial na Faixa de Gaza. A proposta, enviada a cerca de 60 países, já obteve adesão de 23 nações, enquanto seis recusaram o convite. A criação deste conselho, no entanto, tem gerado debates e preocupações entre diplomatas e líderes mundiais, que temem um enfraquecimento da Organização das Nações Unidas (ONU).
O estatuto do novo conselho, obtido pela agência Reuters, revela que Trump terá um mandato vitalício como presidente. Para garantir um assento permanente, os países interessados precisarão desembolsar US$ 1 bilhão, cujos fundos serão administrados diretamente por Trump. Essa estrutura, que cobra valores financeiros para participação e confere poder vitalício ao seu criador, levanta questionamentos sobre sua legitimidade e alinhamento com os princípios de governança global.
A iniciativa de Trump atraiu rapidamente países mais alinhados a sua política externa, como Argentina e Israel. Por outro lado, nações europeias têm demonstrado preocupação com a criação de um órgão paralelo à ONU. O Brasil, sob a liderança do presidente Lula, adota uma postura de cautela, vendo no debate em torno do “Conselho da Paz” uma oportunidade estratégica para impulsionar a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Essa articulação diplomática busca democratizar o sistema multilateral e alertar sobre os riscos de modelos de governança unilateral, conforme apurado pelo g1.
Adesões e Recusas ao “Conselho da Paz”
A lista de países que aceitaram o convite de Trump para integrar o “Conselho da Paz” inclui nações como Armênia, Arábia Saudita, Argentina, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Bulgária, Catar, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kosovo, Marrocos, Mongólia, Paquistão, Paraguai, Turquia, Uzbequistão e Vietnã. Por outro lado, Brasil, Reino Unido, China, Croácia, Itália, Rússia, Singapura, Ucrânia ainda estão avaliando a proposta ou a rejeitaram.
O Canadá é o único país que teve seu convite cancelado por Trump, após desentendimentos públicos entre os líderes. A Itália, convidada para ser um dos países fundadores, ainda não respondeu ao governo americano, segundo a Bloomberg. A falta de uma resposta imediata de diversas nações, incluindo potências como o Reino Unido e a Rússia, sinaliza o ceticismo global em relação à iniciativa.
Posição do Brasil e a Crítica de Lula à ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou abertamente a proposta de Trump, classificando o momento político mundial como “muito crítico” e afirmando que a Carta da ONU está sendo “rasgada”. Lula argumenta que, em vez de corrigir e reformar a ONU, como o Brasil defende desde 2003 com a inclusão de novos membros permanentes, Trump propõe a criação de uma “nova ONU”, como se fosse o único detentor do poder global.
A estratégia do governo brasileiro, segundo fontes diplomáticas, é utilizar o debate gerado pelo “Conselho da Paz” como argumento para defender uma reforma imediata do Conselho de Segurança da ONU durante a Assembleia Geral da organização, prevista para setembro. O objetivo é convocar outros líderes para um processo de democratização do sistema da ONU, alertando que a inércia pode levar a um mundo governado por modelos unilaterais, como o proposto por Trump.
Falência do Sistema Multilateral e a Oportunidade Brasileira
Diplomatas interpretam o plano de Trump como um sinal da falência do atual sistema multilateral. A dificuldade do Conselho de Segurança da ONU em resolver crises complexas, como a situação em Gaza, é vista como um dos fatores que dão força a iniciativas como o “Conselho da Paz”. O Brasil, ao não aceitar de imediato o convite de Trump, busca enviar pedidos de esclarecimentos técnicos sobre o estatuto do conselho e, ao mesmo tempo, fortalecer sua posição como defensor de um multilateralismo mais inclusivo e representativo, que reflita as novas realidades geopolíticas globais.