FGC Amplia Mecanismos de Socorro a Bancos em Dificuldade

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou mudanças significativas no estatuto do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ampliando os poderes do fundo para intervir e socorrer instituições financeiras antes que elas cheguem à beira da liquidação pelo Banco Central. As alterações visam oferecer mais ferramentas para lidar com crises, buscando evitar a falência e proteger os depositantes e investidores.

Essas novas regras entram em vigor em um momento delicado para o sistema financeiro, especialmente após a recente liquidação do grupo Master. O impacto dessa quebra para o FGC pode atingir a marca de R$ 50 bilhões, a maior já registrada na história do fundo. O FGC já iniciou os pagamentos aos investidores afetados por essa liquidação, demonstrando a urgência das novas medidas.

Com a flexibilização, o FGC poderá atuar em situações de “dificuldade financeira relevante”, reconhecidas pelo Banco Central. Até então, a intervenção do fundo se restringia aos casos em que a liquidação já havia sido decretada. A informação foi divulgada pelo próprio FGC, que reforçou que as mudanças ampliam seus instrumentos de atuação, mas não afetam as liquidações já em curso. Conforme informações divulgadas pelo FGC, as novas regras seguem padrões internacionais e visam a modernização do arcabouço de proteção aos depositantes.

Novos Instrumentos para Estabilidade Financeira

Entre os mecanismos agora autorizados, destacam-se as operações de mudança de controle da instituição em crise ou a transferência de ativos e passivos, como carteiras de crédito e depósitos, para outras instituições financeiras. O objetivo principal é evitar a interrupção dos serviços para os clientes, reduzir os custos de uma eventual quebra e minimizar o impacto sobre o próprio FGC e o sistema financeiro como um todo.

O FGC ressalta que a ideia é “reduzir a possibilidade de contaminação do sistema financeiro, diminuindo riscos sistêmicos”. Essa abordagem proativa busca garantir uma maior estabilidade e solidez ao Sistema Financeiro Nacional, alinhando-se com as melhores práticas internacionais.

Flexibilização nas Contribuições e Pagamentos

Além das novas ferramentas de socorro, o CMN também aprovou alterações que permitem ao conselho de administração do FGC propor ajustes nas contribuições das instituições associadas. Essas propostas de aumento ou redução deverão ser analisadas pelo Banco Central e decididas pelo próprio CMN. Atualmente, não há discussões sobre elevação das alíquotas, segundo o fundo.

Para mitigar impactos na liquidez, o FGC poderá antecipar em até cinco anos as contribuições das associadas e instituir cobranças extraordinárias. Esses instrumentos, já previstos nas normas, ajudarão a cobrir eventuais prejuízos. No caso das liquidações recentes do Master e do Will Bank, o FGC estima desembolsar pelo menos R$ 47 bilhões, o que representa quase um terço do seu patrimônio.

Agilidade e Transparência nos Pagamentos de Garantias

Outro ponto crucial é o estabelecimento de um prazo máximo de três dias para o início do pagamento das garantias. Esse prazo começa a contar a partir do recebimento das informações formais dos liquidantes. As mudanças também incluem regras mais claras para o envio e correção de dados, além de maior transparência.

Agora, haverá a divulgação ao público do saldo de instrumentos cobertos por cada instituição associada. O FGC reforça que essas alterações “contribuem para maior estabilidade e solidez do Sistema Financeiro Nacional, mantendo convergência com padrões de referência adotados internacionalmente”, sem afetar as liquidações recentes. O fundo garante a proteção de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, em depósitos e créditos cobertos.