EUA miram expulsão de espiões iranianos na América Latina, diz Reuters

Os Estados Unidos estão intensificando seus esforços diplomáticos na América Latina com o objetivo de **expulsar supostos espiões iranianos** de países da região. Segundo informações da agência Reuters, baseadas em fontes com conhecimento direto do assunto, Washington pressiona a Bolívia a tomar medidas rigorosas contra a presença iraniana.

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla dos EUA para **aumentar sua influência geopolítica** e diminuir a de seus adversários na América Latina. O governo americano deseja que a Bolívia não apenas expulse os espiões, mas também classifique a **Guarda Revolucionária Islâmica do Irã** como organização terrorista.

Além disso, os Estados Unidos buscam que o país andino reconheça o **Hezbollah** e o **Hamas** como grupos terroristas, entidades que Washington considera como braços do Irã na região. A reportagem indica que diplomatas americanos avaliam ações semelhantes em outros países, como Chile, Peru e Panamá.

Bolívia no centro da estratégia americana

A Bolívia, um país sem saída para o mar, tem sido apontada por autoridades americanas como um local estratégico para as **operações diplomáticas e de inteligência do Irã** no continente. A localização central e um ambiente considerado permissivo para contrainteligência contribuem para essa percepção.

O ex-alto funcionário da CIA, Rick de la Torre, explicou que, embora a Venezuela tenha sido historicamente a principal base de operações iranianas, a Bolívia e a Nicarágua serviram como “nodos secundários”. Ele destacou que o **clima político permissivo e a fiscalização mais branda** na Bolívia tornam o país atrativo para Teerã projetar suas ações discretamente.

Durante o governo de Evo Morales (2006-2019), os laços entre Bolívia e Irã se aprofundaram, especialmente em temas de defesa e segurança, com ambos os países alinhados contra o que chamavam de “imperialismo dos EUA”. Autoridades americanas veem o atual governo do centrista Rodrigo Paz, eleito em outubro, como uma **oportunidade única** para mudar essa dinâmica.

Esforços americanos se intensificam na região

A pressão sobre a Bolívia é parte de uma campanha mais ampla dos EUA na América Latina. Recentemente, o Equador classificou a Guarda Revolucionária Islâmica, o Hamas e o Hezbollah como organizações terroristas, e a Argentina designou a Força Quds do Irã com o mesmo status. Os EUA apoiaram ambas as iniciativas.

A Guarda Revolucionária Islâmica é uma força de elite leal ao líder supremo do Irã, enquanto a Força Quds é responsável por operações no exterior. Embora a intenção dos EUA de afastar o Irã da região não seja nova, **há sinais de que a iniciativa esteja se intensificando** e ganhando mais fôlego.

Em resposta às consultas da Reuters, o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia afirmou que “ainda não há uma posição completamente definida sobre esse tema”. O Departamento de Estado dos EUA não comentou o assunto, e a missão iraniana nas Nações Unidas recusou-se a fazê-lo. O governo de Paz, que busca recompor laços com Washington e atrair investimentos, pode ser um parceiro receptivo a essas demandas americanas.