Comunidade somali em Minneapolis reage a operações do ICE, temendo intimidação política em ano eleitoral.
Agentes federais de imigração intensificaram operações em Minneapolis, gerando apreensão e mobilização na comunidade somali. Voluntários atuam em defesa dos direitos civis e contra o que descrevem como táticas agressivas.
O receio de perseguição específica reacendeu memórias de vigilância estatal, levando a comunidade a se organizar para oferecer suporte e informação sobre direitos.
A ofensiva, determinada pelo presidente Donald Trump, ocorre em um momento crucial, levantando suspeitas de motivação política para influenciar o resultado das eleições de meio de mandato. As informações são da Reuters.
Esforços de Base e Direitos Civis em Foco
Kowsar Mohamed, doutoranda na Universidade de Minnesota, lidera um grupo de mais de 100 voluntários que patrulham o sul de Minneapolis. Eles distribuem materiais informativos sobre os direitos dos imigrantes e oferecem acompanhamento a idosos assustados. Essa iniciativa visa conter o que muitos consideram batidas constitucionalmente suspeitas, que desestabilizam a estimada população de 80 mil somalis no estado.
“Você nunca imaginaria que alguém simplesmente pudesse te arrancar da rua e dizer: ‘Prove para mim que você é cidadão'”, relatou Mohamed, citando táticas agressivas de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Ele expressou a crença de que a Constituição deveria oferecer maior proteção contra interrogatórios dessa natureza.
Acusações de Intimidação Política e Abusos
O envio de 3.000 agentes federais, ordenado por Trump, intensificou as acusações de democratas e líderes locais de que a operação visa uma comunidade politicamente influente às vésperas das eleições de meio de mandato. Há um temor crescente de que as ações representem uma tentativa de intimidar eleitores somalis e suprimir sua participação no processo eleitoral.
Trump, que já fez declarações hostis sobre imigrantes somalis, justificou as operações como necessárias para combater o crime. No entanto, muitos dos detidos não possuem acusações formais ou condenações criminais. Ele também citou um escândalo de fraude envolvendo desvio de fundos federais em Minnesota para justificar a presença de agentes no estado.
Democratas e líderes comunitários acusam os agentes de assédio a manifestantes pacíficos, perfilamento racial e buscas residenciais sem mandado. A situação em Minneapolis se agravou após o tiroteio fatal de Renee Good, de 37 anos, por um agente de imigração em 7 de janeiro.
Abdulahi Farah, copresidente da Somali American Leadership Table, afirmou que muitos membros da comunidade fugiram da guerra e que a atual administração estaria criando outra zona de conflito. Ele ressaltou que a retórica racista de Trump contra imigrantes não brancos tem encorajado ativistas de extrema direita e gerado um efeito desestabilizador.
Em resposta, Tricia McLaughlin, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, declarou que imigrantes com mandados administrativos ou ordens de remoção tiveram pleno devido processo legal.
Impacto Econômico e Mobilização Eleitoral
Comerciantes em Cedar-Riverside, um bairro somali conhecido por sua movimentação, relatam uma queda visível na atividade desde a chegada dos agentes de imigração. Os esforços de mobilização incluem filmagens de prisões, organização de protestos pacíficos e aceleração de ações de engajamento eleitoral.
Organizadores de base e moradores entrevistados pela Reuters expressam o temor de que as batidas visem suprimir o comparecimento às urnas nas eleições de novembro. Farah acredita que o objetivo é assustar a comunidade para que não vote, visando as eleições de 2026.
Mesquitas e centros comunitários têm se tornado polos de educação política. Acadêmicos e defensores dos direitos civis comparam as operações em Minneapolis a repressões passadas em bairros negros e latinos, alimentando o temor de uso político de bodes expiatórios.
O Partido Republicano de Minnesota, por meio de seu presidente Alex Plechash, negou motivação política nas batidas, mas admitiu que reclamações sobre táticas agressivas merecem análise. Líderes da comunidade somali afirmam que a mobilização de eleitores será prioridade, com o objetivo de usar o voto como ferramenta de resistência.
“O poder que temos é votar”, disse Abdullahi Kahiye, 37, que se naturalizou cidadão americano em 2024. “O ICE e quem quer que esteja tentando aterrorizar a comunidade somali não vão conseguir.”, concluiu.