Vice de Trump defende ICE após detenção de criança de 5 anos e culpa “agitadores de extrema esquerda” pelo caos em Minneapolis
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, fez uma enérgica defesa dos agentes federais que conduzem uma operação de fiscalização imigratória em Minneapolis. Vance atribuiu a responsabilidade pelo clima de tensão na cidade a “agitadores de extrema esquerda” e a autoridades locais que, segundo ele, não cooperam com as ações de imigração.
A visita de Vance a Minneapolis faz parte de um esforço renovado do governo Trump para angariar apoio público à sua política de repressão à imigração. No entanto, táticas agressivas em Minneapolis, onde agentes fortemente armados e mascarados foram vistos nas ruas, têm gerado desconforto até mesmo entre apoiadores do presidente.
Um incidente particularmente controverso envolveu a detenção de um menino de 5 anos por agentes de imigração, conforme informado por autoridades escolares. J.D. Vance, contudo, acusou a imprensa de distorcer os fatos, afirmando que a criança teria ficado para trás quando o pai tentou fugir dos agentes. A versão oficial do departamento de imigração indica que o pai estava no país ilegalmente, mas um advogado da família alega que eles estavam legalmente nos EUA e haviam solicitado asilo.
Versões conflitantes sobre a detenção de criança de 5 anos
Segundo relatos de testemunhas e de autoridades escolares, o menino de 5 anos viu agentes mascarados levarem seu pai. Uma vereadora descreveu a cena, afirmando que os agentes indicaram a porta dos fundos para a criança e fizeram sinal para que ela batesse, antes de ser retirada do local. O pai, Adrian Alexander Conejo Arias, é apontado pelo departamento de imigração como estando no país ilegalmente.
O advogado da família, no entanto, refuta a tentativa de fuga e afirma que os pais, do Equador, estavam nos EUA legalmente e solicitaram asilo em 2024. A mãe permaneceu em casa a pedido do marido, temendo ser detida também, segundo o advogado. A versão de Vance sobre o pai tentar fugir é contestada por familiares e seus representantes legais.
Vance defende agente do ICE e culpa vítima por morte em Minneapolis
J.D. Vance, ao lado de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), reiterou sua defesa do agente Jonathan Ross, que matou Renee Good, de 37 anos, em 7 de janeiro. Vance afirmou que Good “atropelou” o agente, o que desencadeou o tiroteio. Contudo, análises de vídeos de testemunhas, divulgadas pela Reuters e outros veículos, indicam que as rodas do carro de Good estavam viradas para longe do agente e que as pernas dele estavam fora da trajetória do veículo no momento do disparo.
O agente Ross não caiu durante o incidente e pôde ser visto andando posteriormente. Lideranças democratas em Minnesota rejeitaram a versão de Vance e as autoridades estaduais abriram uma investigação sobre o tiroteio. A morte de Renee Good, mãe de três filhos, gerou semanas de protestos na cidade.
Clima de tensão e confronto em Minneapolis
Minneapolis tem sido palco de grande tensão com a presença de agentes federais que realizam detenções de imigrantes em situação irregular, muitas vezes descritos como criminosos perigosos. No entanto, há relatos de que cidadãos americanos e imigrantes que cumprem a lei também foram abordados.
Manifestantes têm realizado suas próprias rondas, alertando moradores e confrontando os agentes, que por vezes responderam com spray de pimenta. Autoridades democratas, incluindo o prefeito Jacob Frey, acusam o governo federal de tentar deliberadamente gerar agitação e causar caos com a presença desses agentes.
Prefeito de Minneapolis rebate Vance e pede retirada dos agentes federais
O prefeito Jacob Frey rebateu as declarações de Vance, afirmando que a recusa das autoridades locais em cooperar não é o motivo do caos. Frey declarou que autoridades municipais e estaduais apoiam a cooperação para capturar criminosos violentos, mas não para “caçar um pai de família que não fez nada de errado”.
Frey enfatizou que o “enorme envio de agentes federais, do ICE e da Patrulha de Fronteira, precisa ir embora” para que a situação se normalize. Ele também contestou a alegação de que a polícia local estaria deixando os agentes federais vulneráveis, garantindo que os policiais intervêm quando a segurança é comprometida.
“Cidades santuário” e a cooperação com o ICE
O prefeito defendeu leis municipais que proíbem a polícia local de auxiliar diretamente agentes federais na aplicação das leis de imigração. Essas restrições, defendidas por defensores das “cidades santuário”, são vistas como essenciais para manter a confiança pública nas forças de segurança locais.
Frey também mencionou que não recebeu convite do vice-presidente Vance para uma reunião durante sua visita, apesar do apelo por melhor comunicação. A administração Trump, por sua vez, não demonstra sinais de recuar em Minneapolis, onde cerca de 3 mil agentes federais de segurança pública estão atuando, descrita como a maior operação de imigração da história do Departamento de Segurança Interna.
Contexto político e alegações de Trump
J.D. Vance tem assumido um papel proeminente na defesa das ações do ICE, inclusive defendendo o agente que atirou em Renee Good. Vance chegou a afirmar que o caso deveria servir como um teste político para as eleições legislativas de 2026.
O presidente Trump iniciou a operação em Minnesota alegando fraude envolvendo membros da comunidade somali-americana, a qual ele descreveu como “lixo” que deveria ser expulso do país. Vance, no entanto, declarou que Trump não vê necessidade, “neste momento”, de invocar a Lei da Insurreiçãopara conter levantes.