Keir Starmer Reage Fortemente a Declarações de Donald Trump sobre a OTAN
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como ‘ofensivas’ e ‘deploráveis’. As falas de Trump criticavam a suposta falta de apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) aos interesses americanos, gerando forte reação do líder britânico.
Starmer expressou sua decepção com as palavras de Trump, destacando que elas causaram ‘muita dor aos familiares daqueles que foram mortos ou feridos’. A crítica do premiê britânico surge após Trump fazer alegações infundadas sobre a atuação das tropas de países membros da OTAN no Afeganistão, afirmando que estas não teriam participado da linha de frente nas campanhas americanas, o que não corresponde à realidade.
O Reino Unido, por exemplo, teve um custo humano significativo no conflito afegão, com 182 mortos em combate. Essa perda humana torna as declarações de Trump ainda mais sensíveis e questionáveis, segundo a perspectiva de Starmer e do governo britânico.
Trump Propõe Uso Inusitado da OTAN para Questões Migratórias
Os comentários de Trump sobre a OTAN ganharam novos contornos quando ele sugeriu, em uma rede social, que o Artigo 5 do tratado da aliança militar, que trata de defesa coletiva, pudesse ser acionado para lidar com a imigração na fronteira sul dos Estados Unidos com o México. Trump descreveu a entrada de migrantes como uma ‘invasão’.
Ele chegou a propor que a OTAN fosse ‘colocada à prova’, invocando o Artigo 5 para forçar os aliados a ajudarem na proteção da fronteira, o que liberaria agentes da Patrulha de Fronteira americana para outras tarefas. Esta proposta é particularmente controversa, pois o Artigo 5 nunca foi utilizado para questões de imigração, sendo tradicionalmente associado a ataques armados diretos contra países-membros.
A única vez que os Estados Unidos invocaram o Artigo 5 foi em 2001, após os atentados terroristas de 11 de setembro. A sugestão de Trump de aplicá-lo a uma crise migratória demonstra uma visão amplamente divergente sobre o propósito e o alcance da aliança.
Tensões Crescentes entre EUA e Europa sob a Liderança de Trump
As declarações de Trump ocorrem em um contexto de crescentes tensões entre os Estados Unidos e países europeus. O presidente americano tem pressionado aliados da OTAN, inclusive com propostas ousadas como a aquisição da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
Durante o Fórum Econômico Mundial na Suíça, Trump reiterou sua crença de que apenas os EUA seriam capazes de garantir a segurança da Groenlândia. Embora tenha afirmado não pretender usar a força, ele voltou a fazer ameaças veladas de retaliação contra a OTAN, declarando que os EUA ‘nunca pediram nada à OTAN e nunca ganharam nada da aliança’.
Trump também mencionou avanços nas negociações sobre a Groenlândia, buscando ‘acesso total’ à ilha. Essas ações e falas intensificam o debate sobre o futuro da OTAN e a relação transatlântica, com o premiê britânico Keir Starmer se posicionando firmemente contra o que considera um discurso prejudicial e irresponsável.