Genro de Edmundo González é solto após mais de um ano detido na Venezuela
Rafael Tudares Bracho, genro do proeminente líder da oposição venezuelana Edmundo González, foi libertado da prisão na madrugada desta quinta-feira (22). Ele estava detido há 380 dias, em um caso que se soma a uma série de liberações de presos políticos recentes no país.
A soltura foi anunciada por sua esposa, Mariana González de Tudares, através da rede social X. Tudares, um advogado de 46 anos, foi detido em janeiro de 2025, enquanto levava seus filhos à escola em Caracas. Ele, assim como outros detidos políticos, foi acusado de terrorismo, alegações que seus familiares refutam veementemente, classificando a prisão como arbitrária e sem fundamento.
“Depois de 380 dias de uma detenção arbitrária injusta e de ter suportado, por mais de um ano, uma situação desumana de desaparecimento forçado, meu marido Rafael Tudares Bracho voltou para casa”, declarou Mariana González de Tudares. A liberação de Tudares ocorre em um momento de grande expectativa para as famílias de outros detidos, que aguardam ansiosamente por notícias.
Liberações Lentamente Aumentam, Mas Famílias Pedem Mais
As autoridades venezuelanas têm anunciado, nas últimas semanas, uma série de libertações de presos políticos. Contudo, o processo tem sido considerado lento pelo grupo de direitos humanos Foro Penal, que registrou a soltura de 151 detidos até o momento. Muitas famílias ainda mantêm esperança e continuam a buscar informações sobre seus entes queridos.
O grupo de direitos humanos destacou que, apesar das solturas, o número de presos políticos na Venezuela ainda é significativo. As famílias têm se mobilizado, realizando vigílias em frente a presídios e visitando centros de detenção na tentativa de localizar e obter informações sobre os seus familiares.
Contexto Político e Tensões Internacionais Influenciam as Libertações
Essas libertações ganham destaque após a recente captura do presidente Nicolás Maduro em Caracas, em 3 de janeiro, e sua posterior acusação em um tribunal de Nova York por narcoterrorismo. Paralelamente, os Estados Unidos anunciaram que irão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo retidos na Venezuela, como parte das sanções impostas ao país.
A situação de Maduro e as sanções americanas criaram um cenário de maior pressão internacional sobre o governo venezuelano. A liberação de presos políticos pode ser interpretada como uma tentativa de amenizar as tensões diplomáticas e responder a apelos por direitos humanos.
Figuras Notórias Ainda Detidas
Apesar da recente onda de libertações, diversas figuras importantes da oposição venezuelana permanecem presas. Entre elas, destacam-se o político Juan Pablo Guanipa e o advogado Perkins Rocha, ambos aliados próximos da líder opositora e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado. Freddy Superlano, líder do partido Voluntad Popular, e Javier Tarazona, diretor de uma ONG, também continuam detidos.
A situação destes e de outros presos políticos continua sendo um ponto central de preocupação para a oposição e para a comunidade internacional, que monitora de perto os desdobramentos no cenário político venezuelano e a luta pela democracia no país.