Putin destina US$ 1 bilhão de ativos russos congelados para o “Conselho da Paz” de Donald Trump, gerando controvérsia internacional.

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou nesta quinta-feira (22) a intenção de destinar US$ 1 bilhão, provenientes de ativos russos congelados no exterior, para o recém-criado “Conselho da Paz” do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração ocorre após o Kremlin confirmar o aceite do convite para que a Rússia participe do conselho.

A proposta, que visa utilizar fundos russos bloqueados em decorrência da guerra na Ucrânia, levanta questões sobre a legalidade e a formalização do repasse, conforme apontado pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. Ele destacou que a operação exigirá o desbloqueio desses ativos, o que, por sua vez, demandará ações específicas por parte dos Estados Unidos.

A iniciativa de Trump, lançada oficialmente durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, com a presença de 19 líderes de Estado, tem como principal objetivo a supervisão da paz e a reconstrução da Faixa de Gaza. No entanto, a comunidade internacional expressa preocupações de que o “Conselho da Paz” possa atuar como uma organização paralela à ONU, potencialmente enfraquecendo o papel da organização multilateral.

Trump Lança “Conselho da Paz” com Foco na Reconstrução de Gaza e Críticas à ONU

Donald Trump oficializou a criação de seu “Conselho da Paz” em cerimônia realizada em Davos, onde criticou abertamente a Organização das Nações Unidas (ONU). O plano apresentado por seu governo detalha uma proposta ambiciosa para a reconstrução da Faixa de Gaza, incluindo um projeto para a construção de arranha-céus, batizado de “Nova Gaza”.

O conselho, que conta com a participação de cerca de 30 dos 60 líderes mundiais convidados, tem como meta inicial atuar na desmilitarização e reconstrução do território palestino. Trump enfatizou que o grupo terá autonomia para agir em diversas frentes, expandindo seu escopo para além de Gaza no futuro. O presidente Lula foi convidado, mas ainda não respondeu ao convite, enquanto o presidente argentino, Javier Milei, esteve presente na cerimônia.

Mecanismo Financeiro e Poderes do Conselho de Paz de Trump

O estatuto do “Conselho da Paz”, obtido pela agência Reuters, estabelece que Donald Trump terá um mandato vitalício como presidente do grupo, com amplos poderes de gestão. Países que desejarem integrar o conselho de forma permanente deverão contribuir com US$ 1 bilhão, valor que será administrado diretamente pelo presidente dos EUA. Essa estrutura financeira e de governança tem gerado debates sobre transparência e controle.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, descreveu o conselho como “um conselho não só da paz, mas da ação”, ressaltando a intenção de uma atuação mais proativa. A assinatura do documento de formalização do conselho contou com a presença de líderes como Javier Milei (Argentina), Santiago Pena (Paraguai), Ilham Aliye (Azerbaijão), Viktor Orbán (Hungria), Prabowo Subianto (Indonésia) e Vjosa Osmani (Kosovo).

Contexto e Reações Internacionais ao Repasse de Ativos Russos

O congelamento de ativos russos ocorreu após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, resultando no bloqueio de fundos russos em bancos ao redor do mundo, com uma parcela significativa localizada na Europa e nos Estados Unidos. O governo russo considera esse congelamento ilegal e tem sido uma fonte de tensão com a União Europeia, especialmente quando o bloco considerou o uso desses fundos para financiar a ajuda à Ucrânia.

A proposta de utilizar esses ativos congelados para financiar a iniciativa de Trump levanta preocupações sobre a soberania e a destinação de recursos que, segundo a Rússia, foram bloqueados indevidamente. A comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos, temendo que o “Conselho da Paz” possa minar a autoridade e a eficácia da ONU em questões de segurança e diplomacia global.

Plano de Reconstrução de Gaza Apresentado por Jared Kushner

Durante o evento em Davos, Jared Kushner, conselheiro de Trump e seu genro, apresentou os detalhes do plano americano para a reconstrução da Faixa de Gaza. A proposta visa revitalizar a região com foco em infraestrutura e desenvolvimento, buscando estabilidade e prosperidade após anos de conflito. A iniciativa “Nova Gaza” detalha a visão americana para o futuro do território palestino.

A complexidade da situação em Gaza e as implicações geopolíticas da criação do “Conselho da Paz” e do potencial uso de ativos russos congelados continuam a ser temas de intenso debate e análise no cenário internacional. A forma como esses fundos serão administrados e o impacto real da nova estrutura diplomática de Trump ainda são incertos.