China registra menor taxa de natalidade desde 1949, com 7,92 milhões de nascimentos em 2025

A China alcançou um marco sombrio em 2025, registrando o menor número de nascimentos desde o início das medições em 1949. Foram apenas 7,92 milhões de bebês nascidos, uma queda drástica de 17% em relação ao ano anterior, totalizando 1,62 milhão de nascimentos a menos.

Essa taxa de natalidade, equivalente a 5,63 partos por mil habitantes, consolida um cenário de declínio populacional que já dura quatro anos consecutivos. Atingindo 1,404 bilhão de habitantes, a população chinesa diminuiu em 3,39 milhões de pessoas apenas em 2025.

Os dados, divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONE) chinês, coincidem com a divulgação do crescimento econômico de 5% em 2025, um dos menores das últimas décadas, levantando preocupações sobre o futuro demográfico e econômico do país. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (19).

Fim da Política do Filho Único Não Reverte Tendência de Queda na Natalidade

Apesar de o governo chinês ter encerrado a rigorosa política do filho único há uma década, permitindo posteriormente o segundo e, em seguida, o terceiro filho, a taxa de natalidade não demonstrou sinais de recuperação sustentada. A política, que vigorou desde os anos 1980, visava controlar a superpopulação, quando a taxa de natalidade era de 17,82 nascimentos por mil habitantes.

Um pequeno aumento foi observado em 2024, com 6,77 nascimentos por mil habitantes, mas a tendência de queda se reafirmou em 2025. A queda histórica anterior havia sido registrada em 2023, com 6,39 nascimentos por mil habitantes.

Casamentos em Baixa e Desafios para o Futuro Populacional

Paralelamente à queda na natalidade, o número de casamentos na China também atingiu níveis excepcionalmente baixos. Esse cenário somado ao envelhecimento da população representa um desafio de longo prazo para as autoridades, que buscam incentivar tanto o casamento quanto a procriação.

Projeções demográficas das Nações Unidas indicam que a população chinesa, atualmente em 1,4 bilhão, poderá cair para cerca de 633 milhões até 2100. O país já se posiciona entre as nações com as menores taxas de natalidade do mundo, similar a países como Itália, Japão e Ucrânia, e acima apenas da Coreia do Sul.

Incentivos Governamentais e Fatores Sociais Desestimulam Novos Nascimentos

Especialistas apontam que incertezas sobre o futuro, o alto custo da educação, a responsabilidade de cuidar de pais idosos, a priorização da carreira e novos estilos de vida desestimulam casais jovens a ter filhos. Para combater essa tendência, o governo tem implementado medidas como subsídios para creches e incentivos fiscais.

Desde janeiro, pais recebem cerca de 500 dólares anuais por filho com menos de três anos. Além disso, as taxas de creches públicas foram eliminadas no outono passado. Em 2025, o país registrou 11,31 milhões de mortes, resultando em uma taxa de mortalidade de 8,04 por mil habitantes.