Crise no Irã: Repressão Diminui Protestos, Mas Deixa Rastro de Milhares de Mortos e Presos
Os protestos que abalaram o Irã nas últimas semanas parecem ter sido significativamente contidos após uma intensa e violenta repressão por parte das forças de segurança. A situação, no entanto, continua tensa, com um aumento alarmante no número de mortos e presos.
Relatos indicam que a escalada da violência e a presença ostensiva do aparato de segurança levaram a uma diminuição das manifestações nas ruas. Apesar disso, a comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, mantém uma postura de alerta e pressão sobre o regime iraniano.
O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, divulgou dados preocupantes sobre o saldo da repressão. Segundo o órgão, o número de mortos ultrapassa a marca de 2.600 pessoas, um cenário que gerou forte condenação internacional e aumentou as tensões diplomáticas na região, conforme divulgado pelo grupo de direitos humanos HRANA.
Balanço Trágico da Repressão no Irã
O número de vítimas fatais divulgado pelo HRANA é de **2.677 pessoas**. Deste total, **2.478 são manifestantes** que perderam suas vidas em confrontos com as forças de segurança. Além disso, **163 pessoas identificadas como ligadas ao governo** também foram mortas durante os distúrbios.
A violência empregada para reprimir os protestos também resultou em um número elevado de prisões. O HRANA informou que mais de **19 mil pessoas foram detidas**. A agência de notícias Tasnim, ligada ao Estado iraniano, reportou a prisão de 3.000 pessoas, incluindo líderes dos recentes distúrbios em diversas províncias.
Tensões Internacionais e Diplomacia Intensa
A possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos no Irã diminuiu, segundo relatos. O presidente Donald Trump teria sido informado sobre a redução dos protestos, o que amenizou a retórica de intervenção. No entanto, o envio de mais meios militares americanos para a região sinaliza que as tensões persistem.
Aliados dos EUA, como a Arábia Saudita e o Catar, intensificaram a diplomacia com Washington nesta semana. O objetivo foi evitar um ataque americano, alertando para as graves repercussões regionais que poderiam afetar também os próprios Estados Unidos, de acordo com uma autoridade do Golfo.
O chefe da inteligência de Israel, David Barnea, também esteve nos Estados Unidos para conversas sobre a situação no Irã. Um oficial militar israelense afirmou que as forças do país estavam em “nível máximo de prontidão”, indicando a gravidade do cenário.
Origens e Motivações dos Protestos
Os protestos tiveram início em 28 de dezembro, impulsionados pela **disparada da inflação no Irã**, em um contexto de economia fragilizada por sanções internacionais. Rapidamente, as manifestações evoluíram para um dos maiores desafios ao regime clerical que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979.
Autoridades iranianas acusam inimigos estrangeiros de fomentarem os protestos, armando indivíduos que classificam como terroristas para atacar forças de segurança e realizar atentados. Essa narrativa busca deslegitimar o movimento popular e atribuir a culpa a fatores externos.
Relatos de Violência e Ambiente Restritivo
Com o afrouxamento do bloqueio à internet, mais relatos sobre a violência empregada na repressão começaram a emergir. Uma moradora de Teerã relatou à Reuters que sua filha de 15 anos foi morta por forças da Basij enquanto tentava retornar para casa após uma manifestação.
Moradores de Teerã relataram que a capital estava tranquila desde o último domingo, com a presença de drones sobrevoando a cidade. O grupo iraniano-curdo de direitos humanos Hengaw confirmou a ausência de manifestações desde domingo, mas alertou que o “ambiente de segurança segue altamente restritivo”.
A agência de notícias Tasnim noticiou a queima de um escritório local de educação por manifestantes na província de Isfahan. Vídeos que circulam online, e que foram verificados pela Reuters como gravados em um centro médico-legal em Teerã, mostram dezenas de corpos em sacos, evidenciando a brutalidade da repressão.
Rússia Oferece Mediação
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, discutiu a situação no Irã com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. Moscou se colocou à disposição para mediar a crise na região, segundo o Kremlin.
Pezeshkian teria informado a Putin que os Estados Unidos e Israel tiveram um papel direto nos distúrbios, conforme divulgado pela mídia estatal iraniana. A Rússia busca, assim, desempenhar um papel ativo na gestão do conflito.