Chacina no Ramal Água Branca: Policiais Militares Acusados São Reintegrados ao Serviço no Amazonas Sem Porte de Armas
Dez policiais militares da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), acusados de envolvimento na chacina do Ramal Água Branca, ocorrida em dezembro de 2022, foram reintegrados à Polícia Militar do Amazonas. A decisão, oficializada em publicação no Diário Oficial do Estado no dia 8 de janeiro, os realoca sem permissão para atuar em funções operacionais ou portar armas de fogo durante o expediente.
Os militares em questão são apontados como responsáveis pelas mortes de Diego Máximo Gemaque, Lilian Daiane Máximo Gemaque, Alexandre do Nascimento Melo e Valéria Pacheco da Silva. Os corpos das quatro vítimas foram encontrados dentro de um veículo no Ramal Água Branca, situado na zona norte de Manaus.
O portal g1 buscou contato com a Polícia Militar do Amazonas para obter esclarecimentos sobre a reintegração, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. Conforme apurado, os dez policiais haviam sido afastados de suas funções em novembro de 2023, o que implicou na perda de seus cargos públicos e salários, que variavam entre R$ 5,6 mil e R$ 19 mil. Agora, eles foram reclassificados para a Diretoria de Ensino da PM-AM, setor responsável pela gestão educacional da corporação.
Policiais Acusados e O Caso da Chacina no Ramal Água Branca
Na publicação oficial que formalizou o retorno ao serviço, os nomes dos policiais são: Diego Bentes Bruce, Stanrley Ferreira Cavalcante, Anderson Pereira de Souza, Maykon Horara Feitoza Monteiro, Dionathan Sarailton de Oliveira Costa, Weverton Lucas Souza de Oliveira e Marcos Miller Jordão dos Santos. Em 2023, a Justiça do Amazonas já havia determinado a suspensão dos policiais militares, com a consequente interrupção do recebimento de seus salários. Na ocasião, o magistrado também indicou a aplicação de outras medidas cautelares aos envolvidos.
Evidências e Denúncia do Ministério Público
Vídeos gravados por moradores registraram o momento em que os agentes teriam abordado o veículo onde estavam as vítimas, horas antes dos assassinatos. Câmeras de segurança da Secretaria de Segurança Pública também capturaram viaturas da Rocam escoltando o carro em direção à Zona Norte da cidade. O Ministério Público, com base nas evidências, alega que as vítimas foram submetidas a um “tribunal” formado por 16 policiais militares antes de serem mortas.
Procedimento Investigatório e Denúncia Aceita pela Justiça
Após a divulgação das imagens e informações, a Polícia Militar afastou os agentes e iniciou um procedimento investigatório para apurar os fatos. Com base nas provas coletadas, a Justiça do Amazonas acatou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), tornando os policiais réus no processo. Em outra decisão judicial, foi determinado que 16 policiais militares envolvidos serão levados a júri popular.