Polícia desarticula rede criminosa que lesou o sistema de transporte público de Manaus em milhões com venda ilegal de meia-passagem. Entenda como o golpe funcionava e quem foram os envolvidos.
Quatro pessoas foram detidas na manhã desta quinta-feira (15) em Manaus, suspeitas de integrar um grupo criminoso especializado em aplicar o **golpe da meia-passagem** no transporte coletivo. A ação, batizada de Operação ‘Meia Verdade’, cumpriu nove mandados judiciais, incluindo quatro de prisão temporária e cinco de busca e apreensão.
A investigação revelou que o grupo utilizava redes sociais para se passar por instituições de ensino fictícias, oferecendo a venda de meia-passagem para pessoas que não possuíam direito ao benefício. A fraude ocorria na etapa de cadastro dos supostos estudantes no sistema público de transporte.
Conforme informações divulgadas pela Polícia Civil, o esquema criminoso causou um **prejuízo estimado em R$ 3 milhões** apenas com o comércio ilegal de passes. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) estima que o impacto total, incluindo subsídios arcados pela população, pode chegar a **R$ 6 milhões**. A polícia ainda procura por outras duas pessoas ligadas ao grupo.
Entenda o funcionamento do golpe da meia-passagem
O golpe da meia-passagem em Manaus se iniciava com a criação de **instituições de ensino de fachada**. Essas entidades, muitas vezes inexistentes ou fictícias, anunciavam nas redes sociais a possibilidade de adquirir o benefício da meia-passagem, mesmo para quem não era estudante ou não se enquadrava nos critérios legais. Os suspeitos inseriam os dados falsos no sistema público, permitindo a obtenção irregular do cartão.
A fraude foi detectada em dezembro de 2025, quando o Sinetram notou um volume atípico de inscrições. O Sindicato explicou que a emissão do cartão só ocorre após a autorização do sistema público, indicando que a **fraude ocorria na etapa do cadastro** realizado pelas próprias instituições. A investigação pode se estender a escolas reais que eventualmente utilizem o sistema de forma indevida.
Prejuízo milionário e impacto na população
O delegado Charles Araújo detalhou que o **esquema causou um prejuízo significativo** aos cofres públicos e ao sistema de transporte. O valor de R$ 3 milhões refere-se ao comércio ilegal de passes. No entanto, Tarcísio Marques, gerente de Operações do Sinetram, ressaltou que o impacto total no pagamento de subsídios, que são financiados pela população, pode atingir **R$ 6 milhões**.
Os presos responderão pelos crimes de **associação criminosa, estelionato e inserção de dados falsos em sistemas de informação**. Eles permanecerão à disposição da Justiça enquanto as investigações prosseguem para identificar outros possíveis envolvidos e recuperar os valores desviados. A polícia pede a colaboração da população para localizar os foragidos.
Como denunciar fraudes no transporte público
A Polícia Civil do Amazonas disponibiliza canais para denúncias sobre fraudes e atividades criminosas. Informações sobre o paradeiro de Wallace Avelar Rodrigues, um dos foragidos, podem ser repassadas aos números (92) 98827-8814 ou 3667-7543 (Nurrc), 197 ou (92) 3667-7575 (PC-AM), ou ainda pelo 181 da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).
A colaboração da sociedade é fundamental para combater esse tipo de golpe que, além de ilegal, afeta diretamente o bolso do cidadão através do aumento de custos com subsídios. A investigação busca garantir a integridade do sistema de transporte e a correta aplicação dos recursos públicos.