ONU pede investigação “rápida, independente e transparente” sobre morte de mulher a tiros por agente do ICE nos EUA

A Organização das Nações Unidas (ONU) exigiu, nesta terça-feira (13), uma investigação completa sobre a morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, baleada por um agente de imigração do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Minneapolis.

O incidente, que ocorreu na semana passada, gerou protestos em todo o país contra as políticas de imigração do governo Trump e intensificou tensões entre autoridades locais e o governo federal. A vítima, cidadã americana e mãe de três filhos, foi morta após, segundo o governo, tentar avançar com o carro contra os oficiais, o que é contestado por vídeos do ocorrido.

O porta-voz do escritório de direitos da ONU, Jeremy Laurence, enfatizou que o uso de força letal só é permitido como último recurso contra uma ameaça iminente à vida. A ONU considera incomum sua intervenção em casos nos EUA, especialmente durante a gestão de Trump, que tem se mostrado crítico à organização.

Tensão entre Minnesota e Governo Federal escala após morte de Renee Good

Autoridades de Minneapolis denunciaram que o governo Trump estaria dificultando a participação local nas investigações sobre a morte de Renee Nicole Good. Essa atitude aumentou o conflito com o Departamento de Segurança Interna, pois a colaboração entre autoridades locais e federais é comum em casos de grande repercussão nos Estados Unidos.

Em um movimento para contestar a ação federal, o estado de Minnesota entrou com um processo contra a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, e funcionários do ICE. O objetivo é bloquear o envio de mais agentes federais ao estado, uma ordem direta do presidente Donald Trump.

Versões conflitantes sobre a morte de Renee Nicole Good

Na última quarta-feira (7), o agente de imigração Jonathan Ross atirou contra Renee Nicole Good durante uma operação em Minneapolis. O governo Trump alega que a mulher tentou atropelar os oficiais com seu carro. Contudo, um vídeo do incidente sugere que a motorista tentava desviar dos agentes.

A morte de Renee, descrita por vizinhos como uma observadora das atividades do ICE e por autoridades como “terrorista doméstica”, provocou manifestações em diversas cidades americanas. Ela era também uma poetisa premiada e guitarrista amadora.

Defesa oficial e acusações de “terrorismo”

A secretária do DHS, Kristi Noem, defendeu as ações dos agentes, afirmando que eles foram atacados enquanto tentavam remover um veículo preso na neve. Em entrevista à CNN, Noem também acusou políticos democratas de incitar a violência contra agentes de imigração.

A secretária reiterou a narrativa da Casa Branca, classificando Renee Good como “terrorista doméstica” e sustentando que o agente Jonathan Ross agiu em legítima defesa. A declaração intensifica o debate sobre o uso da força e as políticas de imigração nos Estados Unidos.