Marco Rubio, o fiel escudeiro de Trump, tem Cuba como principal alvo de sua política externa

Donald Trump, em sua mais recente investida contra o regime cubano, declarou que o país não terá mais acesso a petróleo ou dinheiro venezuelano. Ele também afirmou que a Venezuela não precisa mais da segurança cubana em troca do combustível, enfatizando que os EUA, com sua força militar, podem proteger a Venezuela. Trump ainda alertou Cuba para fazer um acordo “antes que seja tarde”.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, defendeu o direito absoluto da ilha de importar combustível e de desenvolver relações comerciais sem interferência ou subordinação a medidas coercitivas unilaterais dos EUA. A troca de farpas evidencia a tensão crescente entre os dois países.

Essa postura assertiva de Trump em relação a Cuba e à América do Sul contrasta com sua gestão anterior e é, em grande parte, moldada por seu Secretário de Estado, Marco Rubio. Filho de imigrantes cubanos, Rubio ascendeu politicamente na comunidade de exilados em Miami e se tornou uma figura proeminente com o apoio da ala conservadora do Partido Republicano. Conforme informações divulgadas, Rubio tem uma forte ligação pessoal com Cuba e um desejo declarado pela queda do regime castrista, apesar de seus pais terem deixado a ilha antes da ascensão de Fidel Castro ao poder.

A Trajetória de Marco Rubio e Suas Raízes Cubanas

Marco Rubio nasceu em Miami em 1971, filho de pais cubanos que imigraram para os Estados Unidos. Seu pai era bartender e sua mãe dividia o tempo entre o trabalho de camareira de hotel e as tarefas domésticas. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, Rubio se interessou pela vida pública influenciado por seu avô, que testemunhou o impacto do comunismo em sua terra natal.

No entanto, uma reportagem do “Washington Post” de 2011 revelou que a família de Rubio deixou Cuba em 1956, quando o ditador Fulgencio Batista, aliado dos EUA, governava a ilha. Fidel Castro, na época, estava exilado no México e retornaria meses depois para organizar sua guerrilha. A família Rubio planejava economizar para retornar a Cuba no futuro, e a mãe de Marco chegou a visitar a ilha em 1961, após a tomada de poder por Castro.

A família Rubio viveu nos EUA de forma irregular por quase 20 anos, regularizando sua situação em 1975, após o nascimento de Marco. Essa história contrasta com a política atual do governo Trump, que busca a deportação de imigrantes ilegais e até reverter o direito de cidadania para filhos de imigrantes nascidos nos EUA.

Do Senado à Chefia do Departamento de Estado: A Missão Anti-Cuba

Rubio cresceu em Miami, imerso na comunidade cubana, majoritariamente composta por opositores e exilados do regime cubano, o que fomentou seu sentimento anticastrista. Formado em Ciências Políticas, ele atuou como presidente da Câmara dos Representantes da Flórida antes de conquistar uma cadeira no Senado dos EUA em 2010, impulsionado pelo Tea Party. No Senado, integrou comitês importantes como Relações Exteriores e Inteligência.

Em novembro de 2024, Donald Trump surpreendeu ao anunciar Marco Rubio como seu Secretário de Estado. A nomeação representou uma reviravolta, considerando as trocas de farpas entre os dois durante as primárias republicanas de 2016, quando Trump apelidou Rubio de “Little Marco”. Apesar do passado de rivalidade, Trump elogiou Rubio como um “forte defensor da nossa nação” e um “guerreiro destemido”.

A Influência de Rubio na Política Externa de Trump

Um exemplo da influência de Rubio na política externa de Trump foi a persuasão para cancelar o visto do ministro da Saúde brasileiro, Alexandre Padilha, em maio de 2025. Essa ação visava atingir o programa Mais Médicos, que utilizava profissionais cubanos. Essa medida demonstra a determinação de Rubio em confrontar o regime cubano e seus aliados.

Rubio também desenvolveu laços com a família Bolsonaro a partir de 2018, através de Eduardo Bolsonaro. Após a eleição de Jair Bolsonaro, Rubio recebeu Eduardo e outros aliados em visitas aos Estados Unidos. Em julho de 2025, já como Secretário de Estado, Rubio anunciou a revogação de vistos de autoridades brasileiras, em um discurso alinhado com as posições de Eduardo Bolsonaro, que reside nos EUA.