BRB busca detalhes de investigação sigilosa contra Banco Master no STF

O Banco de Brasília (BRB) deu um passo incomum ao solicitar acesso à investigação que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o Banco Master. O inquérito, sob o segundo maior grau de sigilo imposto pelo ministro Dias Toffoli, mantém até mesmo informações básicas, como a lista de advogados envolvidos, ocultas.

A iniciativa do BRB, conforme comunicado ao Painel, foi formalizada por meio do escritório de advocacia contratado para conduzir uma auditoria forense. O objetivo é apurar a compra do Banco Master, de Daniel Vorcaro, uma transação que foi barrada pelo Banco Central em setembro passado.

A decisão de buscar acesso a informações sigilosas surge após o BRB ter sido apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como cúmplice do Master. Agora, o banco público de Brasília parece querer transitar da posição de potencial comprador para a de acusador, buscando atuar como assistente de acusação no processo judicial.

Auditoria Independente e Busca por Transparência

Em nota oficial, o BRB explicou a sua posição: “O BRB informa que solicitou, por meio do escritório contratado para a condução de auditoria forense, habilitação para acessar todos os procedimentos investigativos, no âmbito da Operação Compliance Zero. O Banco BRB destaca que aguarda a decisão da Justiça sobre as solicitações realizadas”.

Essa movimentação ocorre após a Operação Compliance Zero ter levado à prisão de Daniel Vorcaro e à liquidação do Banco Master em novembro. Na sequência, o BRB anunciou a contratação do renomado escritório Machado Meyer Advogados, com o suporte técnico da Kroll Associates Brasil, para realizar uma investigação independente sobre o caso.

O BRB enfatizou que os relatórios dessa investigação independente seriam apresentados exclusivamente a um Comitê Independente de Investigação, composto por executivos sem vínculos com o banco no período analisado, como informado à imprensa em 2 de dezembro.

BRB Planeja Atuar como Assistente de Acusação

A estratégia do BRB de buscar informações sigilosas e a intenção de atuar como assistente de acusação foram formalizadas em uma decisão do seu Conselho de Administração em 28 de novembro. Nessa data, o conselho deliberou que o banco solicitará à Justiça permissão para intervir no processo quando houver réus definidos.

Essa mudança de postura, de potencial comprador a parte interessada em colaborar com a acusação, demonstra a complexidade das relações e investigações envolvendo o Banco Master e suas conexões financeiras. O acesso aos detalhes da investigação no STF é visto como crucial para o BRB entender completamente o escopo das irregularidades e fortalecer sua posição no processo.