A escalada da repressão no Irã eleva o número de mortos em protestos contra o governo de Khamenei para 648, segundo organizações de direitos humanos.

A crise no Irã se agrava com o aumento alarmante no número de mortes durante os protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. Organizações de direitos humanos monitoram a situação de perto e alertam para uma repressão violenta por parte das forças de segurança.

O balanço divulgado pela ONG Direitos Humanos do Irã (IHR) aponta para 648 mortos, um número que tem crescido nas últimas semanas. A situação é agravada pelo corte de internet promovido pelo governo, dificultando a verificação independente de dados e a comunicação.

Enquanto isso, o governo iraniano nega as acusações de violência excessiva e aponta o dedo para potências estrangeiras. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos e Israel de estarem “ semeando o caos” no país e ameaçou retaliação caso o Irã seja alvo de ataques militares.

ONGs denunciam ‘massacre’ e pedem ação internacional

A ONG Direitos Humanos do Irã, baseada na Noruega, divulgou o novo e trágico balanço de mortes, com o diretor Mahmood Amiry-Moghaddam afirmando que “a comunidade internacional tem o dever de proteger manifestantes civis contra assassinatos em massa cometidos pela República Islâmica”.

Outras organizações, como o Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), com sede nos EUA, também reportam a gravidade da situação, descrevendo um “massacre em curso em meio a um apagão da internet”. Há relatos de corpos sendo amontoados em hospitais, e a ONG norueguesa sugere que o número real de mortos pode chegar a até duas mil pessoas.

Governo iraniano acusa EUA e Israel e ameaça retaliação

Em meio à escalada da violência, o governo iraniano tem buscado desviar a atenção das críticas internas e internacionais. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, admitiu que as forças de segurança “escalaram o nível de confronto contra os manifestantes”.

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, declarou que, em caso de ataque ao Irã, “os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”. Essa ameaça surge após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter insinuado uma possível intervenção caso o regime matasse manifestantes pacíficos.

Protestos generalizados e contexto de fragilidade

Os protestos atuais no Irã, que se expandiram em escala e violência nas últimas semanas, remetem às manifestações de 2022 após a morte de Mahsa Amini. A crise ocorre em um momento de fragilidade para o país, marcado por conflitos regionais e sanções internacionais relacionadas ao seu programa nuclear.

O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, classificou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”, afirmando que seu governo “não vai recuar”. A Guarda Revolucionária do Irã reforçou a posição, declarando que proteger a segurança nacional é um ponto inegociável.

EUA e Irã em rota de colisão verbal

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que o governo iraniano teria procurado negociar um acordo sobre seu programa nuclear. No entanto, ele também reiterou ameaças de intervenção, declarando que os norte-americanos estão “prontos para ajudar” o povo iraniano em sua busca por liberdade.

Em resposta, o governo iraniano, por meio de seu presidente, Masoud Pezeshkian, buscou um tom de diálogo, pedindo à população que se mantenha distante de “terroristas e badernistas”. Contudo, a ameaça de retaliação contra Israel e bases americanas no Oriente Médio evidencia a tensão crescente na região.