Irã em Ebulição: 192 Mortos em Protestos e Acusações Contra Potências Estrangeiras Intensificam Crise

O Irã vive uma escalada de tensão com o número de mortos nos protestos que tomam o país há quase duas semanas subindo para 192. A contagem, divulgada por uma ONG que monitora a situação, surge em meio a denúncias de brutalidade policial e um aumento no confronto direto com os manifestantes, conforme admitido pelo chefe da polícia iraniana. A crise interna se agrava com acusações do governo de Teerã aos Estados Unidos e Israel de estarem por trás da instabilidade, semeando o caos no país.

As manifestações, que eclodiram após a morte de Mahsa Amini em 2022, ganharam nova força e escala, refletindo um descontentamento profundo com o regime. A falta de acesso à internet por dias dificulta a verificação completa do número de vítimas, segundo a organização Iran Human Rights. Enquanto a repressão se intensifica, o presidente iraniano tenta um diálogo, mas também eleva o tom contra potências estrangeiras.

O cenário de instabilidade no Irã é marcado por ameaças de retaliação militar contra Israel e bases americanas no Oriente Médio, caso o país seja alvo de ataques. A fala do presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, ecoa as tensões globais, que se intensificaram após o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizar possíveis intervenções. As informações sobre a repressão e as declarações oficiais foram divulgadas pela ONG Iran Human Rights e repercutidas pela agência Reuters e pelo Departamento de Estado dos EUA.

Intensificação do Confronto e Balanço de Vítimas

O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, confirmou neste domingo que o “nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”. Este aumento na agressividade das forças de segurança ocorre em paralelo ao trágico balanço de 192 mortos, divulgado pela ONG Iran Human Rights. A organização, sediada na Noruega, ressalta que o número real de vítimas pode ser significativamente maior devido ao corte prolongado de internet, que impede a checagem detalhada dos fatos.

Acusações Graves e Ameaças de Retaliação

Em meio à crise, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, buscou um tom conciliador ao pedir à população que se mantenha afastada de “terroristas e badernistas”, ao mesmo tempo em que tentava abrir um canal de diálogo. Contudo, Pezeshkian também lançou acusações diretas contra os Estados Unidos e Israel, afirmando que ambos estariam “semeando caos e desordem” no país. Essas declarações surgem em um contexto de fragilidade para o Irã, afetado por conflitos regionais recentes.

Interferência Externa e Tensão Geopolítica

A Guarda Revolucionária do Irã, força militar leal ao regime Khamenei, reafirmou o compromisso com a proteção da segurança nacional. Paralelamente, o governo iraniano emitiu ameaças claras de retaliação contra Israel e bases militares americanas no Oriente Médio, caso o Irã seja alvo de bombardeios. A fala, divulgada pela Reuters, é uma resposta direta às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou intervir caso o regime persiga manifestantes pacíficos. Trump, segundo o “The New York Times” e o Axios, estaria considerando opções para apoiar os protestos.

Histórico de Protestos e Fragilidade do Regime

O Irã não presenciava um movimento de protesto de tamanha magnitude desde as manifestações de 2022, desencadeadas pela morte de Mahsa Amini. A atual onda de descontentamento ocorre em um momento de fragilidade para o regime iraniano, que já enfrentou conflitos recentes e pressões internacionais, como a retomada de sanções da ONU ligadas ao seu programa nuclear. O líder supremo, Ali Khamenei, classificou os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”, reafirmando a postura de intransigência do governo.