Venezuelanos relatam medo de perseguição e fiscalização de celulares após prisão de Maduro

Nos dias que se seguiram à captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro pelas forças americanas, um clima de apreensão tomou conta da Venezuela. Poucos venezuelanos aceitaram falar com a imprensa, e aqueles que o fizeram pediram anonimato por medo de represálias. As palavras mais repetidas foram “repressão”, “medo”, “incerteza” e “angústia”.

O governo chavista, com a vice-presidente Delcy Rodríguez assumindo interinamente a presidência, emitiu um decreto ordenando a investigação e prisão de qualquer pessoa envolvida na “promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos”. Essa medida intensificou o temor de perseguição, levando muitos a apagar históricos de mensagens em seus celulares.

A situação econômica do país, marcada por intensa pobreza, é apontada como o principal problema, e a incerteza atual fez os preços dispararem ainda mais. Conforme informações divulgadas pelo g1, a situação econômica é tão grave que o povo venezuelano busca progresso, independentemente de quem administre a petroleira, seja EUA, Rússia ou China.

Repressão e medo de fiscalização de celulares

Venezuelanos ouvidos pela reportagem demonstraram um medo generalizado da repressão. Relatos indicam que o governo passou a fiscalizar os celulares dos cidadãos nas ruas. “As pessoas não podem ter nada contra o governo”, lamenta Maria (nome fictício), uma das entrevistadas. Ela explica que mensagens, figurinhas ou vídeos que celebrem a captura de Maduro podem levar à prisão.

Todos os entrevistados apagaram o histórico de mensagens do celular logo após conversar com a imprensa. “Já salvou o que falamos? Vou apagar o chat imediatamente”, pediu um deles, evidenciando o receio de que qualquer comunicação possa ser usada contra eles. A dificuldade em expressar opiniões publicamente é um reflexo direto desse ambiente.

Tensao e incerteza na capital

Em Caracas, o sentimento é de “uma tensa calma”. Nos dias seguintes à operação militar dos EUA, as ruas ficaram mais desertas, comércios fecharam mais cedo e o transporte público foi escasso. Embora as rotinas estejam sendo gradualmente retomadas, o “estado de preocupação e expectativa” permanece.

Bloqueios em vias centrais foram realizados para marchas diárias organizadas pelo partido governista em apoio a Maduro. A polarização sobre a intervenção americana é evidente, mas a ação militar em território venezuelano gera um novo temor entre os cidadãos. A soberania nacional é um ponto sensível.

O futuro incerto e a economia em crise

A incerteza sobre o futuro e a tensão prevalecem entre os venezuelanos. Há dúvidas se uma mudança de governo traria a melhora necessária para o país. A questão central para muitos é quem pode garantir estabilidade política sem submeter o país a interesses estrangeiros.

A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, cerca de 17% do total, mas o potencial segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e sanções internacionais. Pedro (nome fictício) considera alarmante o desejo de controle dos EUA sobre os recursos nacionais, argumentando que a crise econômica é resultado de má gestão, problemas estruturais e sanções americanas.

Em entrevista ao jornal “The New York Times”, Donald Trump declarou que seu governo deve continuar “administrando” a Venezuela e extraindo petróleo do país “por muitos anos”. Essa declaração intensifica o debate sobre a soberania e o controle dos recursos naturais venezuelanos.