Trump se manifesta sobre protestos no Irã e oferece ajuda americana em meio a repressão e mortes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (10) que o Irã está em busca de liberdade e que os americanos estão “prontos para ajudar”. A declaração surge em um momento crítico, com uma onda de protestos intensos ocorrendo por todo o país persa.
A mensagem de Trump foi divulgada em sua rede social, Truth Social, sem detalhes adicionais sobre o tipo de auxílio oferecido. Esta manifestação ocorre um dia após o presidente americano ter sinalizado a possibilidade de intervenção dos EUA caso o regime iraniano continuasse a reprimir manifestantes pacíficos de forma violenta.
Os protestos no Irã, que se iniciaram no final de 2025, têm se expandido em escala e violência. Segundo a agência Associated Press, que baseou seus dados na Human Rights Activists News Agency, uma associação norte-americana, os conflitos já resultaram em pelo menos 72 mortos e a prisão de 2.300 pessoas. Conforme informação divulgada pela Associated Press, o regime iraniano também acusou os Estados Unidos de incitar os protestos, alegações que foram rebatidas por um porta-voz do Departamento de Estado americano como “delirantes” e uma tentativa de desviar a atenção dos problemas internos do governo.
Líderes iranianos rebatem protestos e acusam intervenção externa
Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, afirmou na sexta-feira (9) que seu governo “não vai recuar” diante dos protestos. Khamenei classificou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”, sugerindo que alguns “incidentes” foram “orquestrados no exterior”, conforme relatado por Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país. Larijani declarou que o Irã está “em plena guerra”.
Repressão aumenta e país enfrenta bloqueio de internet
A repressão por parte do governo iraniano se intensificou neste sábado, segundo informações da agência AFP. O país está há 48 horas sem acesso à internet, devido a um apagão nacional imposto pelas autoridades, conforme monitorado pela ONG de cibersegurança Netblocks. Este cenário remete a movimentos de grande magnitude não vistos desde os protestos de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini, que foi presa por supostamente violar o código de vestimenta feminino.
Contexto de fragilidade e sanções internacionais
As manifestações ocorrem em um período de notável fragilidade para o Irã. O país tem enfrentado desafios após conflitos recentes, como a guerra com Israel, e os reveses sofridos por alguns de seus aliados regionais. Adicionalmente, em setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) restabeleceu sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano, adicionando pressão ao regime.
A busca por liberdade no Irã ganha contornos dramáticos com a crescente violência e a resposta do regime, enquanto os Estados Unidos se posicionam oferecendo apoio. A situação interna, combinada com a pressão internacional, configura um cenário complexo e de alta tensão no país persa.