Venezuela em Crise: Entenda a Semana que Mudou o Futuro do País Após Captura de Maduro pelos EUA

Uma semana após uma audaciosa operação militar dos Estados Unidos ter resultado na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, a Venezuela se encontra em um cenário de incerteza e reconfiguração política. O país amanheceu em 3 de janeiro sob o impacto de bombardeios em Caracas, que levaram à remoção de Maduro do poder e sua subsequente prisão nos Estados Unidos.

A ação americana, justificada pelo combate ao tráfico internacional de drogas e a acusações contra Maduro de liderar o “Cartel de los Soles”, intensificou as tensões entre os dois países. Meses de ameaças e movimentações militares culminaram na ação de elite que, segundo o governo dos EUA, capturou o ditador e sua esposa, Cilia Flores, levando-os para uma penitenciária em Nova York.

Enquanto o novo governo interino da Venezuela tenta equilibrar discursos de resistência com a necessidade de cooperação externa, os Estados Unidos sinalizam um controle direto sobre o futuro do país, especialmente em relação aos seus vastos recursos petrolíferos. A situação gerou reações diversas no cenário internacional, dividindo líderes mundiais entre condenação e apoio à intervenção. Conforme informações divulgadas, a operação e suas consequências estão moldando um novo capítulo na já conturbada história venezuelana.

O Ataque e a Captura de Maduro: Uma Nova Era para a Venezuela

A madrugada de 3 de janeiro marcou um ponto de virada com o ataque coordenado pelos Estados Unidos. Explosões em Caracas deram início a uma operação militar que, segundo o presidente Donald Trump, resultou na captura de Nicolás Maduro. O ditador venezuelano foi levado para os Estados Unidos, onde está detido em Nova York. O governo venezuelano relatou 100 mortos, incluindo civis, nos ataques.

Trump declarou que os Estados Unidos passariam a “administrar” a Venezuela interinamente, designando um grupo para supervisionar a transição. Figuras como Marco Rubio e Pete Hegseth foram incluídas nesta equipe. Trump descartou a liderança da oposição, como María Corina Machado, e indicou que dialogaria com a presidente interina, Delcy Rodríguez, enquanto a transição não se concretizasse.

O presidente americano também afirmou que a Venezuela concordou em fornecer 50 milhões de barris de petróleo aos EUA, com os recursos da venda administrados por ele para benefício mútuo, e que a Venezuela teria que usar o dinheiro para comprar produtos americanos. Ele chegou a ameaçar um novo ataque caso o governo interino deixasse de cooperar, mas também declarou que pode aliviar sanções se houver cooperação.

Governo Interino e a Pressão Americana: Resistência ou Concessão?

Após a captura de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina, convocando a população à resistência contra a intervenção americana. Ela afirmou que a Venezuela “nunca será uma colônia” e que nenhum “agente externo” governaria o país. No entanto, em um aceno aos EUA, Rodríguez indicou abertura para relações energéticas benéficas a todas as partes.

Apesar do discurso de resistência, o país tem mostrado sinais de influência externa. O governo de Delcy Rodríguez enfrenta o dilema de ceder o suficiente para garantir a sobrevivência do poder, sem minar a narrativa de luta contra o “imperialismo”. A análise de Uriã Fancelli, mestre em relações internacionais, sugere que os EUA buscam forçar uma mudança de comportamento do regime, com a suspensão de ameaças e alívio de sanções em troca de cooperação.

A lógica, segundo Fancelli, é clara: cooperação pode levar à suspensão de ameaças militares e alívio de sanções. A falta de cooperação, por outro lado, manterá a pressão. O poder político está concentrado em Delcy e seu irmão, Jorge Rodríguez, enquanto o controle militar e de segurança recai sobre o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, que controla a polícia e os serviços de inteligência.

Repressão Interna e Reações Globais: Um Cenário Dividido

Em meio à instabilidade, a Venezuela intensificou a repressão interna. Cidadãos têm sido interrogados em postos de controle, e houve registros de prisões, inclusive de jornalistas. O governo de Delcy Rodríguez ordenou a busca e captura de todos os envolvidos no apoio ao ataque americano. Relatos indicam revistas de celulares e buscas por evidências de apoio à destituição de Maduro.

A ONG Foro Penal informou sobre a prisão de dois irmãos idosos por comemorarem a prisão de Maduro. No entanto, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, anunciou a libertação de prisioneiros, embora ONGs denunciem que apenas 11 foram soltos. O estado de emergência levou a um aumento da presença policial e de milícias mascaradas nas ruas.

A operação americana dividiu a comunidade internacional. Países como Rússia, China, Cuba e Irã condenaram a ação, classificando-a como “agressão armada” e “ataque criminoso”. Em contrapartida, lideranças de direita na América do Sul, como o presidente da Argentina, Javier Milei, elogiaram Trump. No Brasil, o presidente Lula condenou o ataque, considerando-o uma afronta à soberania venezuelana e um “precedente perigoso”.

O Futuro da Venezuela: Objetivos Americanos e a Luta pelo Poder

Uriã Fancelli aponta que os objetivos dos Estados Unidos na Venezuela não visam primordialmente derrubar o regime chavista ou promover uma transição democrática imediata. Em vez disso, o foco é forçar uma mudança de comportamento do governo venezuelano. A lógica é que a cooperação pode suspender ameaças e sanções, enquanto a falta de cooperação manterá a pressão.

Nesse contexto, o chavismo se reorganiza em torno de Delcy Rodríguez, que busca manter o poder negociando com o exterior sem desmantelar a narrativa de resistência. A concentração de poder em Delcy e Jorge Rodríguez, com o controle militar e de segurança nas mãos de Padrino López e Diosdado Cabello, reflete a complexa dinâmica interna.

Fancelli ressalta que Delcy permanece no cargo por sua capacidade de negociação com o exterior, algo que outros líderes do regime não possuem. O objetivo comum é evitar a perda do poder, cujas consequências poderiam ser graves, incluindo risco de prisão, exílio ou morte. Portanto, a tendência é a manutenção da repressão e negociações pontuais com os Estados Unidos, num delicado equilíbrio entre resistência e concessão.