Guarda Revolucionária do Irã afirma que segurança nacional é ponto inegociável diante de protestos generalizados
A Guarda Revolucionária do Irã declarou neste sábado (10) que a preservação da segurança no país é um **ponto crítico e inegociável**. A declaração surge em um momento de **intensificação dos esforços do regime** para conter os maiores protestos ocorridos no país em anos, que já resultaram em dezenas de mortos e milhares de prisões.
O Exército iraniano também divulgou uma nota prometendo agir para **proteger a infraestrutura estratégica e o patrimônio público**. A agitação popular, que já dura duas semanas, representa o **maior desafio interno ao regime clerical** em pelo menos três anos, em meio a uma grave crise econômica e após conflitos regionais.
Conforme informações divulgadas, os protestos deixaram mais de 60 mortos e causaram a prisão de 2.500 pessoas, segundo contagens de organizações de direitos humanos. A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, e culpou “manifestantes violentos” pelo ato.
Guarda Revolucionária acusa terroristas e reforça linha vermelha
Em comunicado transmitido pela TV estatal, a Guarda Revolucionária acusou **“terroristas” de atacar bases militares e policiais** nas noites anteriores, resultando na morte de civis e agentes de segurança, além de incêndios em propriedades. A organização afirmou que proteger as conquistas da Revolução Islâmica de 1979 e manter a segurança é uma **“linha vermelha”**, considerando a continuidade da situação atual como inaceitável.
As Forças Armadas iranianas operam separadamente da Guarda Revolucionária, uma força de elite encarregada de defender a Revolução Islâmica e que já foi utilizada para conter protestos anteriores. Ambas as forças, no entanto, são comandadas pelo aiatolá Ali Khamenei.
EUA emitem alerta e expressam apoio aos manifestantes
As declarações das forças de segurança iranianas ocorrem após o presidente dos EUA, Donald Trump, emitir um novo alerta aos líderes do Irã, indicando que o país americano pode intervir caso o número de mortes entre os manifestantes cresça. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que “Os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã”.
A agitação no Irã continuou ao longo da madrugada, com a TV estatal exibindo imagens de funerais de integrantes das forças de segurança que, segundo o governo, foram mortos em protestos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.
Bloqueio da internet e mobilização da Guarda Revolucionária
As autoridades mantiveram o **bloqueio da internet**, determinado por Khamenei na tentativa de conter os manifestantes. Uma testemunha no oeste do Irã, contatada pela Reuters por telefone e que não quis se identificar, relatou que a Guarda Revolucionária foi mobilizada e estava **abrindo fogo na região** de onde falava.
O Exército, em seu comunicado, anunciou que continuará atuando em prol dos interesses nacionais. “O Exército, sob o comando do líder supremo, juntamente com outras Forças Armadas, além de monitorar os movimentos do inimigo na região, protegerá e salvaguardará com firmeza os interesses nacionais, a infraestrutura estratégica do país e o patrimônio público”, afirmou o comunicado.
Líderes europeus condenam violência e pedem diálogo
Líderes da França, Reino Unido e Alemanha divulgaram uma declaração conjunta na sexta-feira condenando a morte de manifestantes e pedindo que as autoridades iranianas **evitem a violência**. Os protestos representam um desafio significativo ao regime, que enfrenta dificuldades econômicas e instabilidade regional.
As autoridades iranianas afirmam que protestos por questões econômicas são legítimos, mas condenam o que chamam de manifestantes violentos, respondendo com repressão das forças de segurança.