Dólar cede terreno e volta a R$ 5,36 com alívio nos mercados globais impulsionado por EUA
O dólar comercial registrou uma queda significativa, encerrando o pregão desta sexta-feira (9) vendido a R$ 5,365. Este valor representa o menor patamar da moeda americana desde o início de dezembro, refletindo um dia de alívio nos mercados financeiros. A divisa havia iniciado o dia estável, mas perdeu força após a divulgação de dados importantes sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos, chegando a tocar a mínima de R$ 5,35 durante a tarde.
A moeda dos Estados Unidos acumula um recuo de 2,24% no mês de janeiro, contrastando com a alta de 2,89% observada no mês anterior. Em uma perspectiva anual, a desvalorização do dólar frente ao real já atinge 11,18% em 2025. Essa movimentação favorável para a economia brasileira, conforme divulgado pela Reuters, é influenciada por uma combinação de fatores internacionais e domésticos.
No mercado de ações, a sexta-feira foi de recuperação. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em alta de 0,27%, recuperando os 163 mil pontos após uma queda no dia anterior. O indicador chegou a registrar ganhos mais expressivos durante a tarde, mas moderou o ritmo de ascensão ao longo do dia. A bolsa brasileira acumula uma valorização semanal de 1,76% e de 1,39% no ano de 2026.
Desaceleração do emprego nos EUA abre caminho para cortes de juros do Fed
Um dos principais fatores por trás da queda do dólar foi a divulgação de que a economia dos Estados Unidos criou apenas 50 mil novas vagas em dezembro. Este número ficou **abaixo das expectativas dos analistas**, o que é interpretado pelo mercado como um sinal de desaceleração da economia americana. Essa situação aumenta a probabilidade de o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, iniciar um ciclo de cortes na taxa de juros já no início de 2026.
Juros menores em economias desenvolvidas tendem a tornar os investimentos em países emergentes, como o Brasil, mais atrativos. A busca por retornos maiores leva capitais internacionais a migrarem para mercados com taxas de juros mais elevadas, como é o caso do Brasil. Além disso, a alta de 2% no preço do petróleo no mercado internacional nesta sexta-feira também contribuiu para o desempenho positivo do real.
Inflação controlada no Brasil e juros altos sustentam o real
Em relação à economia doméstica, os dados da inflação oficial de 2025 foram um fator importante para a valorização do real. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano passado em 4,26%, um patamar considerado sob controle. No entanto, a persistência da pressão nos preços do setor de serviços ainda é um ponto de atenção.
Essa pressão inflacionária nos serviços pode levar o Banco Central do Brasil a adiar o início dos cortes na taxa Selic para a reunião de março. Juros mais altos no Brasil, embora atraiam capital estrangeiro para a renda fixa, podem desestimular investimentos na bolsa de valores, uma vez que a renda fixa se torna mais competitiva. A gestão da política monetária busca, assim, equilibrar esses diferentes movimentos no mercado financeiro.