Lula busca articulação internacional para estabilidade na Venezuela após intervenção dos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou nesta quinta-feira (9 de janeiro de 2026) os esforços diplomáticos para lidar com a crise na Venezuela. Em uma série de conversas telefônicas, o líder brasileiro abordou a situação com o presidente colombiano Gustavo Petro, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
As conversas ocorrem cinco dias após a captura do presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, por forças militares dos Estados Unidos. A operação, realizada em Caracas no último sábado (3 de janeiro), marca um novo capítulo na tensa relação entre os EUA e a Venezuela, com o governo americano, sob Donald Trump, anunciando um plano de transição de poder em três fases.
O Brasil, por meio do presidente Lula, busca ativamente construir pontes e promover o diálogo regional e internacional para encontrar saídas pacíficas e soberanas para a crise venezuelana. A posição brasileira, reforçada nas conversas, é de que o destino do país sul-americano deve ser decidido por seu próprio povo, sem interferências externas que violem o direito internacional e a soberania nacional.
Preocupação com o uso da força e defesa da soberania
Na conversa com o presidente colombiano Gustavo Petro, ambos os líderes expressaram profunda preocupação com o uso da força militar contra um país sul-americano. Lula e Petro ressaltaram que tais ações violam o direito internacional, a Carta das Nações Unidas e a soberania da Venezuela, configurando um precedente perigoso para a paz e segurança regionais e globais.
Ambos concordaram que a solução para a crise na Venezuela deve ser estritamente pacífica, baseada em negociação e no respeito à vontade do povo venezuelano. Um gesto positivo destacado foi a liberação de opositores presos, anunciada pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela.
Em um ato de solidariedade e compromisso com a saúde da população venezuelana, Lula informou a Petro que o Brasil está enviando 40 toneladas de insumos e medicamentos. Estes suprimentos, parte de um total de 300 toneladas arrecadadas, são essenciais para repor estoques de produtos para diálise, afetados por bombardeios ocorridos em 3 de janeiro.
Multilateralismo e rejeição a visões de “zonas de influência”
O diálogo com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, reforçou a rejeição a uma visão ultrapassada de um mundo dividido em zonas de influência. O presidente brasileiro e a líder mexicana reafirmaram seu compromisso com o multilateralismo, o direito internacional e o livre-comércio como pilares para a estabilidade global.
Brasil e México se comprometeram a manter a cooperação mútua para fomentar a paz, o diálogo e a estabilidade na Venezuela e em toda a região sul-americana. Essa colaboração visa fortalecer os laços diplomáticos e buscar soluções conjuntas para os desafios enfrentados pelo continente.
Condenação do uso da força e convite para fortalecer laços
Em sua conversa com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, o presidente Lula condenou veementemente o uso da força sem respaldo na Carta da ONU e no direito internacional. Lula e Carney concordaram sobre a urgência de reformar as instituições de governança global para que sejam mais eficazes e representativas.
“Lula destacou que o destino da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu povo e que a América do Sul deve continuar sendo uma zona de paz”, conforme comunicado da Presidência. Lula aproveitou a ocasião para convidar Mark Carney para uma visita oficial ao Brasil em abril, visando fortalecer as relações bilaterais e o comércio entre os dois países.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também recebeu um convite para visitar o Brasil em data a ser definida pelas chancelarias dos dois países, demonstrando o empenho do governo brasileiro em estreitar laços diplomáticos e comerciais com parceiros estratégicos na região e no mundo.