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Câncer de Colo de Útero: Teste de DNA-HPV Substitui Papanicolau no SUS em Nova Diretriz da Fundação do Câncer

Câncer de Colo de Útero: Teste de DNA-HPV Substitui Papanicolau no SUS em Nova Diretriz da Fundação do Câncer
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Nova era na prevenção: Brasil adota teste de DNA-HPV para rastreamento do câncer de colo de útero em substituição ao Papanicolau

A Fundação do Câncer lançou uma nova versão de seu Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, marcando uma importante atualização nas estratégias de combate à doença. O documento orienta os profissionais de saúde sobre a transição gradual do exame Papanicolau para o teste molecular de DNA-HPV, considerado mais eficaz na detecção precoce.

Esta mudança representa um avanço significativo alinhado às diretrizes globais da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a eliminação do câncer de colo de útero. A atualização incorpora as mais recentes recomendações e tecnologias disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

O novo guia, divulgado durante o Janeiro Verde, mês de conscientização sobre a doença, detalha os protocolos e benefícios da adoção do teste de DNA-HPV. Conforme informações divulgadas pela Fundação do Câncer, o objetivo é ampliar a capacidade de detecção precoce e a efetividade das estratégias de prevenção, aproximando o Brasil de referências mundiais como a Austrália.

Entenda a Mudança: Do Papanicolau ao Teste Molecular de DNA-HPV

O Papanicolau, método tradicionalmente utilizado, identifica alterações celulares já presentes. Em contrapartida, o teste de DNA-HPV detecta diretamente a presença do Papilomavírus Humano oncogênico, principal causador da doença. Segundo Luiz Augusto Maltoni, cirurgião oncológico e diretor executivo da Fundação do Câncer, essa nova abordagem “amplia a capacidade de detecção precoce e a efetividade das estratégias de prevenção”.

A incorporação do teste molecular de DNA-HPV ao SUS começou em setembro do ano passado, com um processo de implementação que está ocorrendo de forma gradativa em diversos estados. A consultora médica da Fundação do Câncer, Flávia Miranda Corrêa, explica que, onde o rastreamento molecular ainda não chegou, as regras baseadas no rastreamento citológico (Papanicolau) continuam válidas.

A decisão de manter o público-alvo entre 25 e 64 anos, como já consolidado no Brasil, visa evitar confusão e a dupla realização de testes. Essa faixa etária, segundo Flávia Corrêa, foi escolhida após estudos para garantir a efetividade do rastreamento.

Periodicidade e Precisão do Novo Teste de Rastreamento

A periodicidade do rastreamento também sofre alterações com a introdução do teste de DNA-HPV. Enquanto a citologia exigia repetição a cada três anos após um resultado negativo, o novo exame, por ser mais sensível, permite a ampliação desse intervalo para cinco anos. Isso se justifica pela alta segurança do teste: em 99% dos casos negativos, é garantido que a mulher não tem HPV, lesão precursora ou câncer.

O teste molecular de DNA-HPV é considerado altamente seguro, com 99% de precisão quando o resultado é negativo. Isso significa que, se o exame indicar ausência do vírus, a probabilidade de a mulher desenvolver lesões precursoras ou câncer de colo de útero nos próximos cinco anos é mínima, permitindo um intervalo maior entre as testagens.

Para casos em que o teste molecular detecta os tipos de HPV mais perigosos, como o 16 e 18, o encaminhamento para colposcopia é imediato. Este procedimento detalhado permite a visualização ampliada do colo do útero e vagina, auxiliando na identificação de lesões pré-cancerosas.

Pilares da Eliminação do Câncer de Colo de Útero no Brasil

O Brasil aderiu à Estratégia Global para a Eliminação do Câncer de Colo do Útero da OMS, com metas ambiciosas para 2030. Os três pilares dessa estratégia são a vacinação, o rastreamento e o tratamento oportuno.

A vacinação contra o HPV é considerada a forma mais eficaz de prevenção primária. O Programa Nacional de Imunização (PNI) tem realizado esforços para aumentar a cobertura vacinal, incluindo um resgate de adolescentes entre 15 e 19 anos que ainda não foram vacinados. A vacina, disponível no SUS desde 2014, protege contra os tipos de HPV mais associados ao câncer.

O segundo pilar, o rastreamento, ganha força com o teste de DNA-HPV, que oferece maior segurança e precisão em comparação ao Papanicolau. A atualização das diretrizes visa garantir que todas as mulheres elegíveis tenham acesso a métodos de detecção mais eficientes.

O terceiro pilar, o tratamento oportuno, assegura que mulheres diagnosticadas com lesões precursoras ou câncer recebam o cuidado necessário rapidamente. A Fundação do Câncer enfatiza que a rede de cuidado e prevenção precisa estar totalmente estruturada para que a mudança no teste de rastreamento seja plenamente eficaz.

Vacinação Ampliada e Grupos Prioritários

A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no SUS para grupos prioritários, incluindo pessoas com HIV/Aids, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de abuso sexual e usuários de PrEP. Para mulheres de 20 a 45 anos, a vacina não está incorporada ao SUS e deve ser buscada no setor privado.

A vacina a partir dos 20 anos é dividida em três doses e a decisão de vacinar deve ser compartilhada entre a mulher e o profissional de saúde. A inclusão de profissionais do sexo nos grupos de vacinação do SUS ainda não é uma realidade, mas há expectativa de que possam ser incluídos em futuras expansões, devido ao maior risco.

A Fundação do Câncer disponibilizou o Guia Prático de Prevenção do Câncer do Colo do Útero para consulta, reforçando o compromisso com a informação e a capacitação dos profissionais de saúde na luta contra a doença.

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