O Dia do Leitor celebra a persistência do hábito de ler em um mundo cada vez mais digital, onde livros físicos e virtuais coexistem e se complementam.

Abrir um livro, virar a página, fixar o olhar em palavras, frases e histórias. A leitura, um hábito ancestral, resiste bravamente às transformações digitais e, surpreendentemente, até se beneficia delas para se manter viva e vibrante. Nesta quarta-feira, 7 de fevereiro, celebramos o Dia do Leitor, uma data que reforça a importância fundamental desse costume, seja em suas formas tradicionais, em papel, ou nas mais modernas, em telas.

A leitura transcende o mero ato de decodificar letras; é uma jornada de autoconhecimento e expansão de horizontes. Para muitos, como a professora de teatro Anate Diniz, ler é sinônimo de construir memória e promover um profundo crescimento pessoal. Esse hábito, cultivado desde cedo, molda não apenas a vida pessoal, mas também a trajetória profissional, oferecendo novas perspectivas e ferramentas para a vida.

“A leitura sempre foi um crescimento pessoal pra mim. Não é só aprender para ensinar alguém, é algo que transforma a gente por dentro”, compartilha Anate. Ela expressa um carinho especial pelo livro físico, valorizando a conexão tátil e sensorial que ele proporciona. “Eu gosto do livro físico, de pegar, virar as páginas, sentir o tempo da leitura. Isso cria uma conexão muito maior”, afirma.

A tecnologia como aliada, mas com ressalvas

Apesar da preferência por alguns pelo livro físico, os livros digitais ganham cada vez mais espaço. Celulares, tablets e computadores tornaram o acesso às histórias mais rápido e prático. Contudo, a coordenadora editorial Neiza Teixeira ressalta que a tecnologia, embora facilite o acesso, exige dedicação e atenção para que a leitura se concretize.

“Muita gente diz que lê, às vezes até inventa que leu. Mas ler exige sentar, dedicar tempo e atenção”, alerta Neiza. Ela pontua as facilidades oferecidas pela tecnologia: “Hoje, o celular facilita: se você não sabe o significado de uma palavra, está ali ao alcance da mão. Antes era preciso recorrer ao dicionário pesado, como o Aurélio”.

Desafios e a realidade da leitura no Brasil

No entanto, o acesso facilitado nem sempre se traduz em um hábito consolidado. A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, publicada em 2024, revela um cenário preocupante: apenas 40% da população do Amazonas é considerada leitora. A falta de tempo é o principal obstáculo apontado por aqueles que leem pouco ou deixaram de ler, evidenciando um desafio cultural e social.

A leitura resiste e se fortalece

Mesmo diante desses desafios, a leitura demonstra uma notável capacidade de resistência e adaptação. Em livrarias do Centro de Manaus, por exemplo, os livros continuam sendo folheados e levados para casa, mantendo a tradição viva. Além disso, clubes de leitura surgem como espaços importantes para compartilhar experiências e fortalecer o hábito de ler, tornando-o uma atividade coletiva e enriquecedora.

A produção literária local também se mantém ativa, com autores amazonenses publicando obras e ampliando o acesso a narrativas que refletem a identidade e a cultura da região. A escritora Giulietta Carvalho enfatiza o papel crucial do leitor nesse processo: “Seja no papel ou na tela, ler ainda é um ato de escolha. Um tempo que a gente decide guardar”, declara.

Um convite à descoberta

No Dia do Leitor, o convite é claro: abrir um livro, seja físico ou digital, virar a página e se permitir descobrir novos mundos e ideias. Como lembra Neiza Teixeira, a leitura tem o poder de nos transportar para além das nossas realidades imediatas. “Se você quer conhecer o mundo, leia. Kant, por exemplo, nunca saiu da cidade onde nasceu, mas viajou o mundo inteiro por meio da leitura”, conclui.