Em reunião extraordinária do Conselho Permanente da OEA, Brasil condenou a ação dos Estados Unidos na Venezuela, defendeu a soberania nacional, e afirmou que não haverá hesitação em proteger a paz na América do Sul
O Brasil reafirmou, em discurso na Organização dos Estados Americanos, sua posição contra qualquer intervenção estrangeira na Venezuela, após a operação que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa.
O representante brasileiro junto à OEA, embaixador Benoni Belli, disse que atos de força que violam a soberania são inaceitáveis e perigosos para a ordem internacional.
As declarações do governo brasileiro vieram na reunião do Conselho Permanente da OEA nesta terça-feira, conforme informação divulgada pelo g1
Discurso do Brasil na OEA
No plenário, o embaixador Benoni Belli afirmou que “o bombardeio e o sequestro do presidente [Nicolás Maduro] são inaceitáveis, e representam uma ameaça à comunidade internacional”.
Belli ressaltou a importância do direito internacional e da defesa da soberania nacional, dizendo que sem esses princípios o país perde dignidade e passa a ser coadjuvante do próprio destino.
Ele declarou, na sequência, “Se perdermos isso, perderemos a dignidade nacional e nos tornaremos coadjuvantes do nosso próprio destino. As relações de cooperação passarão a ser de subordinação, e assistiremos ao colapso da ordem internacional, que tenderá a ser regida pela lei da selva”.
Interrupção e ambiente tenso na sessão
Durante as falas, o embaixador dos Estados Unidos, Leandro Lizzuto, teve o discurso interrompido por uma mulher que protestava contra os EUA e em apoio à Venezuela.
A sessão chegou a ser suspensa por alguns minutos para a retirada da manifestante, que não foi identificada, e as discussões seguiram em clima de firme condenação à intervenção.
Papel da OEA e posição do secretário-geral
Benoni Belli avaliou que ainda é cedo para definir o papel que a OEA terá na mediação da crise na Venezuela, e destacou a intenção do secretário-geral Albert Ramdin de atuar de forma equilibrada.
Segundo o embaixador, Ramdin “reconhece a importância de respeitar os princípios do direito internacional, que foram claramente violados, mas também tem a intenção de contribuir de maneira construtiva, de ser capaz de se colocar como mediador e [de oferecer] todo o conhecimento acumulado da OEA para ajudar na assistência que seja necessária”.
O discurso do atual secretário contrasta com a gestão anterior entre 2015 e 2025, quando Luis Almagro apoiou sanções, reconheceu Juan Guaidó e chegou a sugerir intervenção armada, fato que reduziu a capacidade de intermediação da OEA nos últimos anos.
Posição do Brasil na ONU
Na segunda-feira, durante reunião do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil também criticou a operação norte-americana na Venezuela por meio do embaixador Sérgio Danese.
Danese afirmou que não é possível “aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, porque esse raciocínio, segundo ele, “carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos”.
O governo brasileiro, nas instâncias da OEA e da ONU, enfatiza o apelo por diálogo, respeito à soberania venezuelana e por soluções que garantam paz e estabilidade na região, mantendo a oferta de apoio técnico e diplomático conforme necessário.