A temporada paralímpica brasileira de 2024, que marca o início do ciclo para os Jogos de Los Angeles em 2028, foi um palco de conquistas notáveis e desafios significativos. O país celebrou o protagonismo em Campeonatos Mundiais de atletismo e judô, onde o Brasil liderou o quadro de medalhas, demonstrando força e excelência no cenário internacional. Contudo, o ano também foi marcado por tensões nos bastidores, especialmente no tênis de mesa, evidenciando a complexidade da gestão esportiva.
O otimismo para 2025 já se manifestou com a vitória de Cristian Ribera no Campeonato Mundial de esqui cross country em Trondheim, Noruega. O atleta, que conquistou o ouro na prova de sprint, é uma forte aposta para as Paralimpíadas de Inverno de Milão e Cortina, em 2026.
No tênis em cadeira de rodas, a seleção brasileira feminina da classe quad alcançou um feito inédito ao chegar à final da Copa do Mundo em Antalya, Turquia, garantindo a medalha de prata. A categoria júnior também obteve destaque, com o quarto lugar e a participação expressiva de Vitória Miranda e Luiz Calixto. Ambos os jovens talentos também brilharam em eventos Grand Slam, como o Aberto da Austrália e Roland Garros, conquistando títulos em simples e duplas, encerrando sua trajetória júnior com chave de ouro.
O judô paralímpico brasileiro viveu um momento histórico em maio, no Mundial de Astana, Cazaquistão. Com um total de 13 medalhas, sendo cinco de ouro, o Brasil liderou o quadro pela primeira vez. Destaques individuais incluem Alana Maldonado, tricampeã na categoria até 70kg (J2), e Wilians Araújo, bicampeão na categoria acima de 95kg (J1). A competição também foi palco de finais 100% brasileiras e ouros inéditos para Brenda Freitas e Rosi Andrade, consolidando a força do país na modalidade.
A canoagem e o ciclismo também foram arenas de sucesso. Fernando Rufino conquistou o ouro no Mundial de canoagem em Milão, na classe VL2, com Igor Tofalini em segundo, garantindo um pódio duplo para o Brasil. No ciclismo de estrada, Lauro Chaman sagrou-se tricampeão mundial na prova de resistência (C5). Já no ciclismo de pista, realizado no Rio de Janeiro, o Brasil somou nove medalhas, incluindo um ouro com recorde de Sabrina Custódia na classe C2.
A natação paralímpica fechou sua participação no Mundial de Singapura em sexto lugar, com 13 ouros e 39 pódios. Gabriel Araújo e Carol Santiago foram as estrelas individuais, cada um com três medalhas de ouro, demonstrando o alto nível técnico dos brasileiros.
O atletismo paralímpico alcançou o ápice no Mundial de Nova Déli, na Índia, liderando o quadro de medalhas pela primeira vez na história, superando a China. Com 15 ouros, 20 pratas e 9 bronzes, o Brasil celebrou a performance de Jerusa Geber, que conquistou dois ouros e se tornou tetracampeã dos 100m rasos (T11), acumulando um total de 13 pódios em Mundiais e superando o recorde de Terezinha Guilhermina.
O halterofilismo feminino também brilhou, com a equipe conquistando o ouro por equipes, além de medalhas individuais de Tayana Medeiros, Lara Lima e Mariana d’Andrea. Mariana e Tayana levaram a prata, enquanto Lara conquistou o bronze.
Em contrapartida, o tênis de mesa enfrentou controvérsias. Em julho, um grupo de atletas manifestou insatisfação com a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) devido a exigências polêmicas relacionadas ao Bolsa Atleta, como o investimento de parte do benefício para custear competições internacionais. Após intervenção, a CBTM revogou a medida, mas as divergências persistem, destacando a necessidade de um diálogo transparente e critérios objetivos na gestão esportiva.