Manaus — A cada chuva forte, Manaus revive o mesmo drama: casas soterradas, vidas interrompidas e promessas vazias. A cidade, que deveria ser cuidada pela gestão David Almeida, se tornou um campo minado para quem vive próximo a áreas de risco. Em março deste ano, a comunidade Fazendinha, no bairro Alfredo Nascimento, foi palco da morte da líder comunitária Sammya Costa Maciel, soterrada enquanto tentava alertar vizinhos sobre o perigo iminente. A tragédia não foi acidente, foi consequência direta da omissão da Prefeitura.
A responsabilidade é clara: cabe à gestão municipal prevenir, monitorar e agir. Mas, em vez de investimentos, a administração David Almeida prefere fazer de conta. Dados do próprio Portal da Transparência mostram que a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) gastou, em 2023, apenas 48,5% do orçamento previsto para obras de contenção e drenagem. Dos R$ 113,6 milhões destinados, só R$ 55,1 milhões foram aplicados. O resto ficou parado, e a população ficou desprotegida.


Essa prática não é novidade. Entre 2021 e 2024, segundo dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a Prefeitura de Manaus empenhou R$ 70,8 milhões para áreas de risco, mas pagou apenas R$ 34,7 milhões. Ou seja, menos da metade saiu do papel. O resultado está nos números: deslizamentos, mortes e a total ausência de obras estruturais em encostas críticas.
O Ministério Público de Contas (MPC) já levou o caso ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), denunciando a omissão da Defesa Civil Municipal e a falta de um plano mínimo de contingência. A representação escancara aquilo que os moradores já sabem: em Manaus, a gestão preventiva de desastres não existe.
Enquanto isso, David Almeida tenta se eximir da responsabilidade. Na quarta-feira (3), o Ministério da Integração foi taxativo: cabe à Prefeitura executar melhorias e prevenir desastres. A declaração veio após pedido do deputado Amom Mandel sobre a comunidade Brasilerândia, no bairro Jorge Teixeira, onde oito pessoas morreram em um deslizamento em 2023.


A cada nova tragédia, a Prefeitura se limita a discursos de solidariedade e promessas que nunca viram obras. Manaus não precisa de condolências oficiais, precisa de gestão responsável. Mas com David Almeida, a cidade segue refém de um prefeito que prefere gastar menos, ignorar alerta e assistir à população pobre pagar com a vida pelo descaso.