A Justiça Federal aceitou, nesta segunda-feira (21), a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) e tornou réu Rubén Dario da Silva Villar, conhecido como “Colômbia”. Ele é acusado de ser o mandante dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorridos há três anos na Terra Indígena Vale do Javari, no interior do Amazonas.

Organização criminosa e pesca ilegal

De acordo com a denúncia, “Colômbia” liderava uma organização criminosa envolvida com a pesca ilegal na região. Para proteger os interesses do grupo, ele teria ordenado os homicídios.
As investigações indicam que ele atuava como principal financiador da quadrilha. Além disso, fornecia munições, embarcações e outros materiais logísticos. Também mantinha contato direto e frequente com os executores do crime.

Crimes com repercussão internacional

O caso teve ampla repercussão internacional e chamou atenção para os riscos enfrentados por defensores do meio ambiente e jornalistas na Amazônia.
Bruno Pereira, por exemplo, fiscalizava diversas atividades ilegais, como a pesca predatória, o garimpo em áreas protegidas e a invasão de territórios indígenas. Consequentemente, passou a enfrentar resistência de grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas e à exploração de recursos naturais.

Indiciamento e histórico criminal

A Polícia Federal indiciou Rubén Villar em 1º de novembro de 2024, após reunir provas de seu envolvimento direto nos assassinatos. Segundo as investigações, ele forneceu cartuchos para a execução, financiou as operações da quadrilha e ajudou na ocultação dos corpos.
Apesar de se declarar inocente, ele foi preso em flagrante no dia 8 de junho de 2022, ao se apresentar à sede da PF em Tabatinga usando documentos falsos. Na ocasião, negou qualquer ligação com os crimes.

Atuação na tríplice fronteira

Além dos assassinatos, Villar é investigado por envolvimento com o tráfico de drogas e outras atividades ilegais na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.
Embora seja conhecido como “Colômbia”, ele é de nacionalidade peruana. Autoridades acreditam que ele chefia uma quadrilha que atua dentro da Terra Indígena Vale do Javari, uma área frequentemente alvo de invasores em busca de recursos naturais.