Trump anuncia o fim da ajuda militar de US$ 4 bilhões a Israel, antecipando acordo bilateral
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o país encerrará o repasse de ajuda militar a Israel até o final de 2026. A decisão, divulgada nesta terça-feira (3) em entrevista à Fox News, antecipa o fim do acordo de assistência vigente, que previa a entrega de cerca de US$ 3,8 bilhões anuais em verbas e equipamentos militares até 2028.
Segundo Trump, a iniciativa partiu do próprio primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. O presidente americano concordou com o pedido, justificando que Israel, por ser um país muito próspero, “não precisa mais disso”. No entanto, Trump ressaltou que o fim da ajuda financeira não impedirá Israel de continuar adquirindo armamentos norte-americanos.
A notícia surge em um momento de grande importância política para ambos os países, com eleições de meio de mandato nos EUA e a formação de um novo governo em Israel após a apuração dos votos parlamentares. A decisão de Trump pode impactar as relações bilaterais e a segurança regional.
O histórico do acordo de assistência militar entre EUA e Israel
O apoio militar dos Estados Unidos a Israel é regido por um acordo bilateral de longo prazo, assinado em 2016 durante a administração do ex-presidente Barack Obama. Este Memorando de Entendimento, com validade de 10 anos, cobre o período de 2018 a 2028. Ao todo, o compromisso garante a Israel o repasse de US$ 38 bilhões ao longo de uma década.
Essa quantia representa uma média de US$ 3,8 bilhões anuais e constitui a **maior promessa de assistência militar contínua da história norte-americana**. O acordo foi projetado para proporcionar estabilidade a Israel e previsibilidade à indústria bélica dos EUA. Os recursos anuais são divididos em duas frentes: US$ 3,3 bilhões para o Financiamento Militar Estrangeiro, destinado à compra de armas e caças F-35 nos EUA, e US$ 500 milhões para o desenvolvimento conjunto de sistemas de defesa antiaérea.
Em contrapartida pelo financiamento decenal, Israel concordou com restrições, incluindo a obrigação progressiva de gastar 100% dos recursos em fornecedores americanos, encerrando assim as compras de sua própria indústria de defesa. Além disso, Israel se comprometeu a não solicitar verbas extras ao Congresso dos EUA, exceto em casos de emergências extremas de conflito.
Eleições cruciais definem o futuro político nos EUA e em Israel
A declaração de Trump sobre o fim da ajuda militar a Israel coincide com um período decisivo para ambos os países. Nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato (midterms) definem o controle do Congresso, com a disputa por todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 assentos do Senado. O resultado definirá se Trump terá um Legislativo favorável para aprovar o orçamento e direcionar a política externa, ou se enfrentará uma oposição fortalecida nos próximos dois anos.
Em Israel, o cenário pós-eleitoral para o Parlamento (Knesset) aponta para uma fragmentação política. O partido Likud, de Benjamin Netanyahu, lidera com a projeção de 27 assentos, seguido pelo partido Yashar, com 21. Como nenhuma legenda atinge individualmente os 61 assentos necessários para governar, Netanyahu dependerá de negociações com partidos aliados da direita e setores religiosos para formar um bloco majoritário.
Caso as articulações falhem, o país poderá enfrentar novos impasses institucionais. A decisão de Trump sobre a ajuda militar pode influenciar essas negociações e o futuro da política israelense, além de redefinir a dinâmica da relação entre os dois países no cenário geopolítico global.
Israel poderá continuar comprando armamentos americanos, diz Trump
Apesar do anúncio do fim da ajuda financeira direta, Donald Trump fez questão de esclarecer que a decisão não impede Israel de continuar a adquirir armamentos dos Estados Unidos. Isso sugere que as transações comerciais de defesa entre os dois países podem prosseguir, embora sem o subsídio militar direto do governo americano.
Essa distinção é importante, pois Israel historicamente mantém uma forte relação de dependência tecnológica e militar com os EUA. A capacidade de Israel de manter seu poderio militar, mesmo sem a ajuda direta, dependerá de sua própria capacidade econômica e de acordos comerciais futuros com fornecedores americanos. A prosperidade mencionada por Trump pode ser um fator chave para a continuidade dessas aquisições.