Dragagem no Rio Solimões sob investigação: Moradores de Careiro da Várzea relatam impactos ambientais e prejuízos
A atividade de dragagem no Rio Solimões, em Careiro da Várzea, se tornou alvo de apuração após moradores da comunidade Nossa Senhora Aparecida, conhecida como Prainha, denunciarem uma série de problemas ambientais e socioeconômicos. A situação gerou preocupação e levou a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) a solicitar esclarecimentos urgentes ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
Segundo relatos dos residentes, a dragagem teve início na última terça-feira (27), sem qualquer tipo de consulta ou aviso prévio à população local. As queixas incluem desmoronamentos nas margens do rio, contaminação da água com óleo e impactos negativos diretos na atividade pesqueira, fundamental para a subsistência da comunidade.
A Defensoria Pública, após atendimento coletivo aos moradores, formalizou um pedido de informações ao Ipaam na sexta-feira (30). A instituição busca entender a legalidade da operação, identificar os responsáveis e avaliar os riscos iminentes à população e ao meio ambiente, conforme informações divulgadas pela DPE-AM.
Impactos Ambientais e Preocupação com a Segurança
Os moradores expressaram grande preocupação com a segurança de suas residências, que ficam próximas às margens do rio. A erosão intensificada pela dragagem pode levar à necessidade de desocupação de imóveis, com custos que podem chegar a cerca de R$ 40 mil por família, segundo estimativas apresentadas.
O defensor público Carlos Almeida Filho, titular da Defensoria Especializada em Assuntos Coletivos (DPEIC), explicou que a dragagem aumenta a profundidade e a velocidade das águas do rio, o que agrava o fenômeno das terras caídas. Essa dinâmica natural, quando potencializada pela intervenção humana, representa um risco real para as estruturas às margens.
Água Contaminada e Suspeitas de Comercialização de Areia
Outra denúncia grave feita pelos moradores é a aparente imprópria para consumo da água do rio, devido à presença de óleo. A comunidade também levantou a suspeita de que a areia retirada do leito do Solimões esteja sendo comercializada pela empresa responsável pelo serviço, uma informação que ainda carece de confirmação oficial.
A falta de transparência e comunicação por parte dos responsáveis pela dragagem tem sido um ponto central das reclamações, intensificando o sentimento de insegurança e desamparo entre os residentes da comunidade.
Defensoria Cobra Esclarecimentos e Possível Suspensão da Atividade
No documento enviado ao Ipaam, a Defensoria Pública solicita que o órgão ambiental informe detalhadamente se a dragagem possui licença ou qualquer outra autorização para operar na localidade. Foram requisitadas cópias de todos os documentos pertinentes e a identificação clara dos responsáveis pela execução do serviço.
A instituição enfatizou a urgência da situação, enviando o pedido ainda durante o fim de semana para agilizar a resposta. Carlos Almeida ressaltou que, caso seja constatada a falta de autorização ou a existência de riscos ambientais significativos, o Ipaam deve adotar medidas imediatas.
Entre as providências solicitadas pela Defensoria está a análise da necessidade de **suspender a dragagem** até que a regularidade e a segurança da atividade sejam plenamente esclarecidas. A expectativa é que o Ipaam atue de forma célere para garantir a proteção ambiental e a segurança da população afetada pela dragagem no Rio Solimões.