Alasca em Polêmica: A Disputa pelo Senado com Nomes Iguais e a Fúria de Trump
Uma eleição incomum no Alasca para o Senado dos Estados Unidos gerou uma onda de indignação e acusações de manipulação, especialmente por parte do ex-presidente Donald Trump. A controvérsia gira em torno de dois candidatos com o mesmo nome, Dan Sullivan, disputando a mesma vaga, um deles sendo o senador republicano titular.
A situação ganhou contornos ainda mais dramáticos com a revelação de uma suposta estratégia orquestrada pela campanha da democrata Mary Peltola. Segundo investigações, o objetivo seria recrutar um candidato com o nome de Dan Sullivan para diluir os votos do republicano, Dan S. Sullivan, e assim favorecer a candidata democrata.
Diante das graves alegações, o Departamento de Justiça dos EUA interveio, entrando com uma ação judicial para impedir a certificação do resultado eleitoral. A manobra visa garantir a integridade do processo democrático, em meio a um cenário de desconfiança e acusações mútuas entre os partidos. Conforme noticiado pelo The New York Times, a campanha democrata teria orquestrado essa estratégia.
A Investigação que Abalou a Campanha Democrata
A investigação do jornal The New York Times, publicada na quarta-feira (28), detalhou como integrantes da campanha de Mary Peltola teriam buscado ativamente pessoas com o nome Dan Sullivan no Alasca para que se candidatassem ao Senado. O objetivo explícito seria confundir os eleitores e desviar votos do senador republicano Dan S. Sullivan.
Documentos, mensagens de texto e entrevistas com pessoas envolvidas sugerem que a iniciativa envolveu não apenas a equipe de Peltola, mas também advogados e funcionários do Comitê de Campanhas Democratas para o Senado (DSCC). A estratégia teria sido planejada desde meados de 2025.
A ex-gerente de campanha de Peltola, Elisa Rios, demitida em agosto, declarou ao jornal que a candidata democrata tinha conhecimento da iniciativa. No entanto, tanto o DSCC quanto a campanha de Peltola negaram envolvimento direto na candidatura de um segundo Dan Sullivan, com o DSCC acusando os republicanos de táticas semelhantes em outras disputas.
Os Números da Eleição e a Estratégia Questionada
Nas primárias realizadas em agosto, Mary Peltola obteve 49,5% dos votos, enquanto o senador republicano Dan S. Sullivan alcançou 41,4%. O professor aposentado Daniel J. Sullivan Jr., o outro candidato com o mesmo nome, obteve 2,5% dos votos, o equivalente a 4.107 eleitores.
As regras eleitorais do Alasca permitem que os quatro candidatos mais votados nas primárias avancem para a eleição geral. Por isso, ambos os Dan Sullivan acabaram na cédula de votação para a mesma vaga no Senado, alimentando a polêmica.
Daniel J. Sullivan Jr., em entrevistas, negou ter entrado na disputa com a intenção de confundir eleitores ou prejudicar o senador republicano. Ele se descreveu como um professor aposentado de uma pequena comunidade pesqueira do estado.
A Reação de Donald Trump e a Ação Judicial
Donald Trump manifestou publicamente sua insatisfação com a situação, classificando-a como injusta e acusando os democratas de manipulação eleitoral. Ele pressionou o Departamento de Justiça a intervir antes mesmo da publicação da reportagem do The New York Times.
Após a divulgação da investigação, Trump reiterou suas críticas, afirmando que era difícil acreditar que Peltola pudesse sequer competir pelo cargo. Em resposta, o Departamento de Justiça protocolou uma ação judicial na quinta-feira (29) para tentar impedir a certificação do resultado caso o senador republicano perca por uma margem pequena.
O governador do Alasca, Mike Dunleavy, também solicitou uma investigação estadual sobre as acusações, indicando que uma constatação de ilegalidade poderia ter sérias consequências, inclusive para a posse de um senador eleito.
Especialistas Contestam a Ilegalidade da Estratégia
Apesar da intervenção judicial e das acusações, especialistas em direito eleitoral contestam a ilegalidade da estratégia em si. Jessica Levinson, professora de direito eleitoral da Faculdade de Loyola em Los Angeles, argumentou que, desde que o candidato Daniel J. Sullivan Jr. não tenha ocultado o financiamento de sua campanha, a candidatura provavelmente não violou nenhuma lei.
Levinson explicou que partidos políticos podem, de fato, adotar estratégias para confundir o eleitorado. Ela alertou que uma investigação governamental sobre os motivos de um candidato se lançar em uma eleição poderia abrir um precedente perigoso para a interferência excessiva nas escolhas democráticas.
“Se as pessoas se sentem desconfortáveis com dois candidatos Sullivan, provavelmente também deveriam se sentir desconfortáveis com um nível muito alto de interferência do governo nas nossas eleições”, afirmou a professora, ressaltando a importância de proteger a autonomia do eleitor e a liberdade de candidatura.