Inquérito mira Flávio Bolsonaro e advogado Willer Tomaz em suspeitas de lavagem de dinheiro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tornou-se o centro de um novo inquérito da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura a suspeita de **lavagem de dinheiro envolvendo apostas** e uma suposta ligação com o advogado Willer Tomaz, amigo do senador.
Um dia após a determinação judicial que o proibiu de deixar o Brasil, com a consequente entrega de seus passaportes comum e diplomático, surgiram relatos de aliados indicando que Flávio Bolsonaro poderia ter desrespeitado a ordem e se dirigido aos Estados Unidos. Moraes também determinou que o senador **não mantenha contato com Willer Tomaz**.
A investigação sobre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz ganha força a partir da análise de dispositivos apreendidos com o advogado, que é investigado na Operação Sem Desconto, focada em fraudes contra o INSS. A relação entre ambos, segundo a PF, remonta a pelo menos 2019 e envolve suspeitas de lavagem de dinheiro com apostas.
Celular de Willer Tomaz revela movimentações financeiras suspeitas
A análise do celular de Willer Tomaz apreendido durante a Operação Sem Desconto revelou **movimentações financeiras atípicas**. Estas movimentações teriam envolvido plataformas de apostas, holdings no exterior e outras empresas ligadas a ele, direta ou indiretamente, por meio de sócios de fachada.
No aparelho e no armazenamento em nuvem do advogado, foram encontradas fotos e documentos pessoais de Flávio Bolsonaro. Além disso, há referências a festas, encontros e reuniões entre os dois, indicando uma **proximidade significativa**.
A comunicação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz também chamou a atenção dos investigadores. Eles utilizavam o aplicativo Confide, conhecido por permitir o envio de mensagens que desaparecem após a leitura, e o nome do senador aparecia entre os contatos favoritos de Willer.
Ligação familiar e acesso a contas bancárias reforçam suspeitas
A Polícia Federal identificou indícios de uma relação próxima entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, bem como relações suspeitas do advogado com outros políticos. Um ponto crucial é que as famílias de ambos viajaram com passagens pagas pela **Cathedral Holding**, empresa portuguesa majoritariamente pertencente a Willer e seus familiares.
A Cathedral Holding é a única acionista da Rede Loto, que por sua vez é dona da casa de apostas BestBet. A PF aponta que a ligação mais direta entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz é o acesso de Flávio como **”usuário master” à conta bancária da Alcazar Holding**, empresa de Willer registrada na Ilha da Madeira. Esse acesso permitiria um amplo controle das operações financeiras.
Senador pode ser sócio oculto da BestBet, aponta investigação
Para os investigadores, o acesso à conta da Alcazar Holding, somado aos demais vínculos identificados, sustenta a hipótese de que Flávio Bolsonaro pudesse ter **participação econômica ou societária de fato** na empresa. Conforme documentos analisados pela PF, um pedido de exclusão do senador da conta foi registrado em maio de 2025.
Diante dessas conexões, a PF abriu um inquérito para investigar se o senador é um **sócio oculto da BestBet**. A defesa de Flávio Bolsonaro classificou as suspeitas como infundadas e de motivação eleitoral, enquanto a assessoria de Willer Tomaz afirmou que todas as suas empresas e participações são lícitas e declaradas.
Outras investigações e o futuro político de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro está envolvido em outro inquérito que apura um pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Neste caso, as suspeitas recaem sobre corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Com a derrota de seu pai na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro perdeu a possibilidade de obter imunidade temporária. Ao deixar o Senado em fevereiro, perderá também o foro especial, o que marca a **primeira vez desde 2002 que ele não ocupará um cargo eletivo**.