Lula e Flávio Bolsonaro protagonizam debate tenso na TV Globo com ataques e propostas para 2026
O último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026, realizado pela TV Globo nesta sexta-feira (23), no Rio de Janeiro, foi marcado por trocas de acusações e apresentação de propostas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Mediado pelo jornalista César Tralli, o confronto ocorreu a dois dias da votação, evidenciando as principais divergências e os planos de cada candidato para o futuro do país. Temas como políticas sociais, saúde e a situação de vulnerabilidade social dominaram as discussões.
Um dos momentos de maior tensão ocorreu com uma referência à perda de um dedo do presidente Lula, gerando pedido de desculpas e novas críticas. Conforme informação divulgada pela mídia, a discussão se estendeu a dados sobre a população em situação de rua. Os eleitores puderam acompanhar as visões distintas sobre a gestão pública e as soluções propostas para os desafios nacionais.
Ataques pessoais e polêmicas sobre dados sociais
O debate esquentou quando Flávio Bolsonaro usou uma expressão sobre a perda do dedo mínimo da mão esquerda de Lula, em referência a um acidente de trabalho na juventude do presidente. Lula exigiu desculpas, que foram dadas, mas o senador logo emendou críticas sobre a população em situação de rua.
Flávio Bolsonaro questionou o presidente sobre o aumento do número de pessoas vivendo nas ruas. Segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, 365,8 mil pessoas viviam nessa condição em dezembro de 2025, um aumento de 55% em relação a 2022, e não de 100%, como mencionado pelo senador. Pesquisadores apontam que mudanças nos métodos de contagem também influenciam esses números.
Políticas sociais em foco e a questão do endividamento
Lula rebateu as críticas questionando o voto de Flávio Bolsonaro contra a ampliação da licença-maternidade quando o senador era deputado estadual. Flávio admitiu a decisão e disse ter mudado de opinião após se tornar pai.
A discussão sobre o Bolsa Família também foi central. Lula criticou publicações antigas de Flávio sobre o programa. Por sua vez, o senador prometeu manter e ampliar os benefícios sociais, buscando acalmar preocupações sobre cortes.
O endividamento das famílias e a dívida pública foram outros pontos de confronto. Flávio Bolsonaro atribuiu os juros altos ao governo e sugeriu o uso da Caixa Econômica Federal para renegociar dívidas bancárias. Lula, por sua vez, mencionou que uma iniciativa similar já tramita no Senado e citou medidas de renegociação de dívidas de seu governo.
Saúde pública e promessas de campanha
Na área da saúde, Lula criticou a gestão da pandemia de Covid-19 durante o governo de Jair Bolsonaro e questionou declarações sobre investimentos no SUS. Flávio Bolsonaro afirmou seu compromisso em manter e ampliar os recursos para o SUS, além de aumentar a tabela de procedimentos.
O senador também reiterou suas promessas de combater a corrupção, reduzir a burocracia e os impostos, buscando transmitir uma mensagem de otimismo e eficiência administrativa para os eleitores às vésperas da votação decisiva.