Incêndio de longa duração em Itacoatiara, Amazonas, já consumiu área equivalente a mais de 5,6 mil campos de futebol e avança sobre Terra Indígena.
Um incêndio florestal na região do Rio Urubu, em Itacoatiara, interior do Amazonas, completa 54 dias de atividade contínua. As chamas já devastaram mais de 4 mil hectares de vegetação, uma extensão alarmante que se aproxima de 5,6 mil campos de futebol.
O fogo não demonstra sinais de cessar e, nesta sexta-feira (23), as chamas avançaram sobre parte da Terra Indígena (TI) Paraná do Arauató, território tradicional do povo Mura. Equipes estaduais e federais estão empenhadas no combate, mas a situação permanece crítica.
Além da destruição ambiental, o incêndio tem gerado uma densa camada de fumaça que cobre o município de Itacoatiara, comprometendo drasticamente a qualidade do ar. Conforme informações divulgadas pelo g1, Itacoatiara registrou índices de poluição do ar classificados como “péssimos” nesta sexta-feira.
Avanço do Fogo e Impacto na Terra Indígena
O incêndio, cujo primeiro foco foi detectado em 30 de agosto, conforme o sistema Fire Information for Resource Management System (FIRMS) da Nasa, está se espalhando rapidamente. A Terra Indígena Paraná do Arauató, lar do povo Mura, está sob a ameaça direta das chamas, que avançam sobre suas terras ancestrais.
Moradores indígenas relatam cenas desoladoras, com a morte de animais silvestres, como preguiças e pássaros, fugindo do fogo. A cacica da Aldeia Paricá, Aldenora Maquinez Lima, que também atua como agente indígena de saúde, expressou sua tristeza com a situação. “Dá pena de ver os bichos morrer. Preguiça, pássaros que vão fugindo do fogo e vão se acabando”, lamentou.
A cacique Dina Marques, da TI Paraná do Arauató, também destacou a dificuldade no combate. “Enquanto as equipes combatem as chamas em um ponto, o fogo volta a aparecer em outro”, afirmou, pedindo o fim das queimadas e maior proteção para o território.
Qualidade do Ar em Níveis Críticos
A fumaça intensa oriunda do incêndio em Itacoatiara afetou severamente a qualidade do ar no município. Na manhã desta sexta-feira, a concentração de partículas finas suspensas no ar chegou a 250 microgramas por metro cúbico (µg/m³), de acordo com o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Mesmo com uma leve redução para 148,8 µg/m³ registrada mais tarde, a qualidade do ar permaneceu na categoria “péssima”. Essas partículas finas, presentes na fumaça das queimadas, são perigosas por sua capacidade de penetrar profundamente nos pulmões.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) explicou que a fumaça que cobre Itacoatiara também pode ter origem em incêndios em outros municípios do Baixo Amazonas e do oeste do Pará. Além disso, a fumaça gerada em Itacoatiara é transportada pelo vento para outras cidades, podendo chegar até Manaus.
Esforços de Combate e Apoio Federal
O combate ao incêndio tem sido desafiador devido ao acesso difícil à região do Rio Urubu, que exige deslocamentos complexos por terra e embarcação. Aeronaves e brigadistas estão atuando intensamente, mas o fogo se mostra persistente.
Recentemente, dois aviões do Prevfogo (Ibama) e uma aeronave da Defesa Civil do Amazonas foram mobilizados para auxiliar nas operações, que incluem lançamentos de água e atuação de bombeiros e brigadistas. Apesar do apoio, o incêndio ainda não foi controlado.
O governo federal tem intensificado a atuação no combate a incêndios no Amazonas. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a ação conjunta de aeronaves, brigadistas e forças de segurança já auxiliou na extinção de 338 focos de incêndio no estado.
A estrutura federal conta com 17 aeronaves, nove embarcações e 66 veículos, além de uma força-tarefa com 474 brigadistas do Ibama e ICMBio, 54 militares da FAB e 41 integrantes da Força Nacional. O governo federal também está custeando as diárias de 116 bombeiros do Amazonas.
Outros Incêndios Afetam a Zona Rural de Itacoatiara
O incêndio no Rio Urubu não é o único a assolar Itacoatiara. Outras áreas rurais do município enfrentam queimadas há mais de duas semanas. Na região da Vila de Lindóia, um incêndio já consumiu mais de 800 hectares, segundo o Painel do Fogo do Censipam.
Nesses locais, além das equipes governamentais, moradores e lideranças comunitárias estão mobilizados para conter as chamas, contando com doações de combustível e alimentos para sustentar os combatentes.