Lula levanta suspeitas sobre a Globo após almoço de Flávio Bolsonaro e critica postura da emissora em cobertura eleitoral
Em um ato de campanha em Ipatinga, Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dirigiu fortes críticas à Rede Globo nesta sexta-feira (16). O petista insinuou que a emissora estaria agindo de forma parcial em relação à sua candidatura, especialmente após um almoço entre Flávio Bolsonaro (PL) e a direção da emissora no mesmo dia em que o filho do ex-presidente participou de uma sabatina. Lula declarou que, a partir de agora, a Globo estaria sob “suspeição” em relação à sua campanha.
A declaração surge em um contexto de tensão entre o governo e a emissora, com Lula listando uma série de motivos pelos quais acreditar que a Globo estaria “com raiva” dele. Entre as razões apontadas pelo presidente, estão o fim das apostas esportivas (bets), a aprovação da mudança na escala de trabalho 6×1, a promessa de transporte gratuito nos fins de semana e a prisão do ex-juiz Sergio Moro. Lula enfatizou que essas medidas impactam diretamente os interesses da emissora.
A Globo confirmou o encontro de Flávio Bolsonaro com o presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet, em sua sede no Rio de Janeiro. Em nota, a emissora esclareceu que o encontro teve caráter institucional e não contou com a participação de dirigentes do jornalismo. A emissora também informou que Lula teria sido recebido caso tivesse solicitado uma visita, o que ocorreu no dia seguinte à sabatina de Flávio. Conforme informações divulgadas, a campanha petista já havia classificado o encontro como grave, questionando a imparcialidade da emissora.
Motivos da desconfiança de Lula com a emissora
Lula detalhou os pontos que, em sua visão, geram insatisfação na emissora. Ele mencionou especificamente o fim das apostas esportivas, afirmando que a Globo “tinha a bet”. Além disso, citou a aprovação do fim da escala 6×1, uma medida que afeta diretamente as relações de trabalho em diversas empresas, incluindo aquelas ligadas ao setor de comunicação. O presidente também ressaltou sua intenção de oferecer transporte gratuito nos finais de semana, uma política que visa beneficiar a população.
Outro ponto levantado por Lula foi a prisão de Sergio Moro, um evento que gerou grande repercussão e que o presidente atribui ao seu governo. Essas declarações foram feitas durante um ato de campanha em Ipatinga, onde Lula também pediu aos apoiadores que buscassem votos entre os eleitores indecisos e reforçou críticas ao governo anterior, lembrando as mortes pela Covid-19.
Globo confirma encontro institucional e rebate acusações
Em resposta às declarações de Lula, a Globo confirmou que Flávio Bolsonaro foi recebido na sede da emissora, no Rio de Janeiro. A emissora esclareceu que o encontro com o presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet, teve caráter institucional. Foi enfatizado que nenhum dirigente ligado ao jornalismo participou da reunião, buscando assim desassociar o encontro da linha editorial da empresa.
A emissora ainda acrescentou que Lula também seria recebido caso tivesse manifestado interesse em uma visita, reforçando a abertura da empresa para o diálogo com todas as esferas políticas. A sabatina com o presidente Lula ocorreu na quinta-feira (15), um dia após o encontro com Flávio Bolsonaro, o que intensificou as críticas da campanha petista sobre a possível parcialidade da emissora.
Campanha de Lula foca em mobilização e críticas ao passado
Durante o ato em Ipatinga, Lula não se limitou a criticar a Globo. Ele também conclamou seus apoiadores a intensificarem a busca por votos entre aqueles que não escolheram sua candidatura no primeiro turno. O presidente relembrou momentos difíceis da pandemia de Covid-19, questionando os apoiadores sobre as mortes por falta de oxigênio e vacinas, e alertou para o risco de retrocesso do país.
A mobilização contou com a presença de aliados importantes, como os ministros Alexandre Silveira e Rui Costa, a senadora eleita Marília Campos e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles. Em determinado momento, Lula pediu calma aos participantes para evitar acidentes, demonstrando preocupação com a segurança de todos. A primeira-dama, Janja, também reagiu a um gesto ofensivo de uma pessoa, pedindo respeito e amor.