Incêndio de grandes proporções em terra indígena Mura completa mais de 40 dias no AM
Um incêndio de proporções alarmantes segue ativo na região do Rio Urubu, na zona rural de Itacoatiara, interior do Amazonas. As chamas avançam sobre a vegetação nativa e já atingiram parte da Terra Indígena Paranauá do Arauató, lar do povo Mura, completando mais de 40 dias de atividade contínua. A fumaça densa gerada pelas queimadas se espalha, afetando a qualidade do ar em comunidades vizinhas e cidades próximas.
O primeiro foco de calor na área foi detectado em 30 de agosto, próximo às margens do Rio Urubu, conforme o sistema Fire Information for Resource Management System (FIRMS), da NASA. Monitoramentos por satélite indicam que a área devastada pelo fogo já ultrapassa os 3 mil hectares, um número que continua a crescer com a progressão das chamas. A dimensão do desastre ambiental e social exige atenção urgente.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Itacoatiara (Semma) aponta a origem criminosa para o incêndio, embora nenhum suspeito tenha sido identificado até o momento. As investigações estão em andamento para apurar as responsabilidades por trás desse crime ambiental. Conforme informação divulgada pela Semma, o caso segue sob investigação.
Combate Aéreo é Principal Estratégia Diante do Acesso Terrestre Limitado
O acesso ao foco principal do incêndio por terra é extremamente dificultado, impedindo que equipes de brigadistas e bombeiros atuem diretamente no combate. Por essa razão, o esforço concentrado tem sido realizado com o apoio crucial de uma aeronave da Defesa Civil do Amazonas.
A aeronave tem a tarefa de despejar água sobre as áreas mais afetadas pelas chamas. O avião retomou as operações em Itacoatiara na segunda-feira, 12 de setembro, realizando dezenas de sobrevoos na tentativa de conter o avanço do fogo. Contudo, mesmo com o empenho das equipes, os focos de calor permanecem ativos, demonstrando a força e a extensão do incêndio.
Outros Incêndios Agravam a Situação em Itacoatiara
A situação em Itacoatiara é agravada pela ocorrência de outros incêndios de grandes proporções na zona rural do município. Um incêndio na região do Lago do Canaçari, que durou 20 dias, destruiu cerca de 1,3 mil hectares de vegetação. Embora tenha sido dado como controlado na sexta-feira, 9 de setembro, focos de calor voltaram a ser identificados na área nesta terça-feira, 13 de setembro.
Este outro incêndio também é investigado como criminoso, e um suspeito de envolvimento já foi identificado pela Semma. As queimadas têm um impacto direto e severo na vida das comunidades locais, além de prejudicar o ecossistema amazônico. A persistência desses focos de fogo é um sinal preocupante.
Qualidade do Ar Severamente Comprometida e Impactos na Saúde
As diversas ocorrências de incêndio em Itacoatiara contribuíram significativamente para a piora da qualidade do ar na região por vários dias. Um dos momentos mais críticos foi registrado na madrugada do dia 7 de outubro, quando a concentração de partículas poluentes no ar ultrapassou a marca de 500 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
Esses dados são do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Para se ter uma ideia da gravidade, a qualidade do ar é considerada boa pelo Selva quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³. Níveis acima desse patamar já indicam riscos à saúde, variando de moderado a péssimo, conforme a escala utilizada.
Foco na Rodovia AM-010 e a Extensão da Área Afetada
Um novo foco de incêndio foi identificado na quarta-feira, 7 de setembro, às margens da rodovia AM-010, próximo ao bairro Jacarezinho, na entrada de Itacoatiara. De acordo com o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a área atingida somava 211,29 hectares. Este número equivale a aproximadamente 296 campos de futebol, demonstrando a vasta extensão de destruição causada pelo fogo.