Ministro do TCU, Jorge Oliveira, desponta como favorito para vaga no STF, com aliados destacando seu perfil conciliador.
A possibilidade de Jorge Oliveira, atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), ocupar uma das vagas destinadas a indicações do presidente Flávio Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) ganha força entre seus aliados. A aposta se baseia, principalmente, no perfil considerado “conciliador” do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
Oliveira é um dos nomes mais cotados para preencher uma das três cadeiras que Flávio Bolsonaro terá direito a indicar, além de uma quarta vaga já existente. Sua relação pessoal com a família Bolsonaro é notória, herança de seu pai, Jorge Francisco, que foi assessor de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados por duas décadas.
A proximidade se estendeu a pontos como o envio de Oliveira por Bolsonaro para adquirir exemplares do livro da viúva do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido como torturador durante a ditadura. Apesar desse vínculo, interlocutores de Flávio ressaltam que tal fato “não faz de Oliveira um extremista”, segundo informações divulgadas.
Bom trânsito no STF e histórico de moderação
O ministro demonstra ter bom trânsito com ministros do STF, incluindo figuras como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Durante sua gestão no governo Bolsonaro, até 2020, uma de suas funções era justamente a de interlocução com o Poder Judiciário. Esse papel o qualificaria para o ambiente do Supremo.
Um exemplo frequentemente citado de sua moderação é o fato de que, mesmo apresentando ressalvas, Jorge Oliveira nunca votou contra a aprovação das contas de Luiz Inácio Lula da Silva quando analisadas pelo TCU. Essa postura indica uma capacidade de análise técnica e ponderação.
Possíveis desdobramentos no TCU
Jorge Oliveira está previsto para assumir a presidência do TCU em 2027, seguindo um rodízio interno da corte. Caso sua indicação para o STF se concretize, o posto no TCU seria ocupado pelo ex-senador Antonio Anastasia. Anastasia é visto pelos bolsonaristas como um nome de perfil técnico, o que afastaria receios de que o TCU pudesse se tornar um “bunker” contra o governo.
A escolha de Oliveira, portanto, seria estratégica, combinando laços pessoais com a família Bolsonaro e uma reconhecida habilidade de negociação e articulação política, características essenciais para um ministro do STF.