Feriado de Nossa Senhora Aparecida é palco de disputa eleitoral e fake news entre Lula e Flávio Bolsonaro
O feriado de Nossa Senhora Aparecida, comemorado nesta segunda-feira (12 de outubro), tornou-se um novo campo de batalha na acirrada campanha presidencial brasileira. A repercussão de uma suposta intenção do senador Flávio Bolsonaro (PL) em retirar o título de padroeira do Brasil da santa, disseminada como fake news, mobilizou tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o próprio senador.
Ambos os candidatos usaram o tema em seus discursos e aparições públicas, transformando a figura religiosa em um elemento central da disputa eleitoral. Lula passou a se apresentar como defensor da padroeira, exibindo imagens religiosas em seus eventos, enquanto Flávio Bolsonaro negou veementemente a informação falsa, acusando o PT de disseminá-la e comparando o episódio a um ataque pessoal.
A controvérsia chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a remoção de conteúdos associando Flávio Bolsonaro a uma iniciativa para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. A origem da notícia falsa remonta a uma declaração do senador em agosto, sobre decretar o Brasil do Senhor Jesus Cristo, e a um antigo projeto de lei de 2007 que visava alterar a denominação do feriado. Conforme informações divulgadas pela imprensa, a alegação sobre a retirada do título de padroeira do Brasil é falsa.
Lula intensifica discurso religioso e exibe imagens em atos de campanha
Em entrevistas e atos públicos, Lula tem reforçado sua defesa da padroeira. Em uma entrevista à Band, ele declarou ser inaceitável “mexer com Nossa Senhora Aparecida”, e, ao ser questionado sobre o caráter de fake news da informação, respondeu que “não sabe se foi fake news”, argumentando que o assunto circulava fortemente nas redes sociais. Em eventos em Belém (PA) e Natal (RN), o presidente exibiu imagens de Nossa Senhora de Nazaré e Nossa Senhora das Graças, reforçando sua conexão com o eleitorado religioso.
Flávio Bolsonaro nega fake news e compara a “facada” de Jair Bolsonaro
Por outro lado, Flávio Bolsonaro tem negado veementemente a autoria da fake news, chegando a comparar a disseminação da notícia falsa ao atentado sofrido por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2018. Em entrevista a um podcast, o senador afirmou que a “fake news” pode ser considerada “uma espécie de facada” e voltou a responsabilizar o PT pela circulação da informação. Ele também passou a aparecer com imagens da padroeira em seus eventos, como forma de se defender das acusações.
CNBB repudia desinformação e nega participação em boato
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu nota oficial repudiando a desinformação e negando qualquer participação na divulgação de notícias falsas relacionadas à eleição. A entidade declarou que “a mentira não se combate com outra mentira” e que não produziu, autorizou ou participou da disseminação de boatos. A CNBB também criticou a acusação de Flávio Bolsonaro de que o PT teria obtido ajuda de membros da organização para espalhar o boato.
Ação antiga no STF sobre feriado religioso ressurge na campanha
A polêmica também trouxe à tona uma ação antiga no Supremo Tribunal Federal (STF) que pedia o cancelamento do feriado de Nossa Senhora Aparecida. A ação, apresentada em 2020 por um advogado filiado ao PT, questionava a constitucionalidade do feriado em nome da laicidade do Estado. A Advocacia-Geral da União (AGU), durante o governo Bolsonaro, manifestou-se contrária ao pedido. O advogado responsável pela ação esclareceu que atuou apenas como defensor técnico e que a defesa de uma causa não implica adesão pessoal a ela. A ação foi extinta sem resolução de mérito em fevereiro de 2023.