Divergência sobre apoio federal no combate às queimadas no Amazonas: Estado dispensou brigadistas após solicitação inicial.
O governo do Amazonas solicitou ajuda federal para combater as intensas queimadas que assolam o estado, mas, segundo o Ministério do Meio Ambiente, dispensou a equipe de brigadistas antes mesmo que eles chegassem para atuar. A situação gerou uma polêmica, com declarações conflitantes entre o comando dos bombeiros locais e o ministério.
A controvérsia veio à tona após o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas afirmar que o pedido de apoio federal havia sido negado. Horas depois, o Ministério do Meio Ambiente veio a público para contestar essa versão, esclarecendo os fatos e detalhando as ações do governo federal.
De acordo com o Ministério, o governo estadual informou que não necessitava mais do apoio dos brigadistas em 30 de setembro, citando a contribuição das chuvas para o controle dos focos de incêndio. A informação foi divulgada pelo g1, que buscou o posicionamento do governo estadual, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem.
Ministério do Meio Ambiente detalha cronologia e dispensa de brigadistas
Em nota oficial, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) informou que, em 23 de setembro, recebeu uma solicitação formal de apoio do governo do Amazonas. Em resposta, o ministério mobilizou combatentes do Projeto de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad) e uma aeronave. Contudo, a pasta esclarece que, em 30 de setembro, o governo estadual comunicou a dispensa da equipe.
A justificativa apresentada pelo estado foi que as chuvas haviam contribuído significativamente para o controle dos focos de incêndio, tornando desnecessário o deslocamento dos brigadistas federais. O MMA ressaltou que orientou o estado a buscar recursos via Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC), mas que até o momento, tal solicitação não foi formalizada.
Comandante dos Bombeiros alega negativa de apoio federal
A polêmica se intensificou com a declaração do comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, em entrevista na sexta-feira (9). Ele afirmou que a corporação recebeu um retorno negativo quanto ao pedido de apoio federal, incluindo aeronaves, para o combate aos incêndios florestais, inclusive em áreas federais.
Muniz enfatizou a necessidade de somar esforços entre o estado e a União para um enfrentamento mais eficaz contra as queimadas. Os bombeiros apresentaram ao g1 dois ofícios que tratam da solicitação de recursos, incluindo um encaminhado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que respondeu não dispor de equipamentos para doação no momento.
Ações federais e a qualidade do ar em Manaus
O Ministério do Meio Ambiente também destacou outras ações federais em andamento no Amazonas, como o projeto ProAmazon, financiado com R$ 45 milhões, que visa fortalecer o Corpo de Bombeiros e as ações de prevenção e combate a incêndios. O Ibama, por sua vez, informou ter extinto 229 incêndios no estado e que atua em outros 20 focos ativos.
Enquanto as divergências ocorrem, a fumaça das queimadas continuou a cobrir Manaus. No sábado (10), a concentração de partículas finas em alguns pontos da capital ultrapassou em mais de oito vezes o limite considerado ideal para a qualidade do ar, com índices classificados como “péssimos”, evidenciando a urgência da situação.