Jorge Oliveira, nome cogitado para o STF, teria agido como elo na disseminação de obras de Ustra entre apoiadores de Bolsonaro.
Um dos nomes que figurava entre as preferências para uma futura indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jorge Oliveira, teria desempenhado um papel na difusão de ideias do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. A informação surge a partir do relato da viúva de Ustra, Joseíta Ustra, e detalha a atuação de Oliveira na aquisição de livros que defendem o papel do militar durante a ditadura militar brasileira.
Oliveira, que é major da reserva da Polícia Militar, ocupou o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência entre 2019 e 2020, antes de ser indicado por Jair Bolsonaro para o TCU. Sua conexão com o universo bolsonarista se estende, pois seu pai, Jorge Francisco, capitão do Exército falecido em 2018, trabalhou por mais de duas décadas no gabinete de Bolsonaro na Câmara dos Deputados.
Jair Bolsonaro sempre demonstrou ser um entusiasta e divulgador de “A Verdade Sufocada”, livro de memórias de Ustra, onde o coronel defende sua atuação durante o regime militar. Ustra comandou o DOI-Codi do 2º Exército em São Paulo, um dos principais centros de tortura do período, e foi posteriormente reconhecido pela Justiça como torturador. Bolsonaro, que considera Ustra um herói, chegou a homenageá-lo ao votar a favor do impeachment de Dilma Rousseff em 2016, ex-presa política que relatou ter sido torturada durante a ditadura.
Durante a campanha presidencial de 2018, Bolsonaro declarou que “A Verdade Sufocada” era seu “livro de cabeceira”. Ele adquiriu grandes quantidades de exemplares diretamente de Joseíta Ustra, com o objetivo de distribuí-los entre seus apoiadores. Joseíta teve um papel fundamental na obra, atuando como revisora e coeditora, além de ser responsável pela distribuição do livro por muitos anos.
O nome de Jorge Oliveira surge como a pessoa enviada por Bolsonaro para adquirir os livros na residência de Joseíta Ustra, em Brasília. Este detalhe foi revelado pela própria viúva em depoimento a este repórter, conforme consta no livro “Poder Camuflado”. Joseíta relatou um episódio em que tentou presentear Bolsonaro com algumas caixas do livro, mas o então candidato recusou, devolvendo o presente por meio de Oliveira, pois fazia questão de pagar por todo o material.