Fumaça volta a encobrir Manaus neste sábado; concentração de partículas supera em 736% o limite considerado bom
Manaus amanheceu sob um denso manto de fumaça neste sábado (10), marcando o terceiro dia consecutivo de má qualidade do ar na capital amazonense. A concentração de partículas atingiu níveis alarmantes, superando em mais de sete vezes o limite considerado seguro para a saúde humana.
Os índices de poluição do ar registraram níveis preocupantes em diversos pontos da cidade, com a Defesa Civil emitindo recomendações de segurança para a população. A situação se agrava com o aumento de atendimentos de urgência relacionados aos efeitos da fumaça.
Moradores relatam dificuldades respiratórias e irritações, transformando a rotina em um desafio. A situação, que já perdura por semanas, gera apreensão e críticas quanto à resposta das autoridades. Conforme informação divulgada pelo g1, a fumaça voltou a encobrir Manaus pelo terceiro dia consecutivo neste sábado (10).
Qualidade do ar em níveis ‘pessimos’ em Manaus
Um dos pontos de monitoramento em Manaus registrou a concentração de 209,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Este índice é 736,4% superior ao limite de 25 µg/m³ estabelecido pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), para classificar a qualidade do ar como boa. Por volta das 6h, o sensor na Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) marcava 209,1 µg/m³, um nível classificado como pessimo.
Outras regiões da cidade também apresentaram índices preocupantes. Na área central, a concentração chegou a 164,1 µg/m³, e no Morro da Liberdade, 157,2 µg/m³. Em apenas dois pontos da capital a qualidade do ar foi considerada moderada, evidenciando a extensão do problema.
Região Metropolitana também afetada pela fumaça
A piora na qualidade do ar não se limitou a Manaus, estendendo-se à Região Metropolitana. Em Itacoatiara, a concentração de partículas alcançou o alarmante índice de 2.016,1 µg/m³ por volta das 6h. Diante disso, a Defesa Civil local emitiu um alerta recomendando o uso de máscaras ao sair de casa e aconselhando a população a evitar a exposição à fumaça.
Em Careiro, o índice atingiu 121,4 µg/m³, classificado como muito ruim. Já em Careiro da Várzea, o nível chegou a 144,1 µg/m³, também considerado péssimo. Imagens de satélite confirmam a vasta extensão da camada de fumaça sobre a região.
Fumaça provoca aumento de atendimentos de urgência e relatos de sofrimento
Os efeitos da fumaça na saúde pública são evidentes. Entre 1º e 8 de outubro, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) registrou 82 atendimentos de urgência em Manaus relacionados aos possíveis efeitos da fumaça das queimadas. Desde 1º de julho, o número total de atendimentos na capital chega a 375.
Moradores como Márcia Mendes, que sofre de rinite e sinusite, relatam o agravamento de seus problemas respiratórios. Ela descreve irritação na garganta, congestão nasal, crises de espirros e dores de cabeça que prejudicam o sono. “Manaus, no Amazonas, é conhecida como o pulmão do mundo, mas a gente está sufocando com toda essa fumaça”, desabafou Márcia.
Valdeci Moraes de Castro, outro morador, expressou sua preocupação com a invasão da fumaça nos lares, dificultando o descanso. Ele criticou a falta de ações efetivas do poder público e alertou para os riscos à população, especialmente idosos e pessoas com doenças respiratórias. “Nem em casa pode dormir. A fumaça entra toda para dentro do quarto. O ar está horrível”, disse Valdeci.
Estado de atenção em Manaus
Manaus permanece em estado de atenção desde 24 de setembro, conforme informou a prefeitura. Esta classificação é adotada quando ocorrem eventos que afetam a cidade e há previsão de impactos significativos a curto prazo. A situação atual, com altos índices de poluição e impactos diretos na saúde, reforça a necessidade de medidas urgentes para mitigar os efeitos da fumaça.