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Política

Centrão articula liberação de apostas esportivas após eleição, apostando em Flávio Bolsonaro ou negociação com Lula

Centrão articula liberação de apostas esportivas após eleição, apostando em Flávio Bolsonaro ou negociação com Lula

Centrão aposta em vitória de Flávio Bolsonaro para liberar bets após segundo turno

Integrantes do centrão articulam no Congresso Nacional a modificação da medida provisória (MP) que proibiu as bets no Brasil. A estratégia é, após o encerramento das eleições, buscar um meio-termo para a proibição total, permitindo, por exemplo, a liberação de apostas esportivas enquanto cassinos online permaneceriam vetados.

A articulação ganhou força com a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que tem indicado ser favorável à autorização das apostas esportivas. Parlamentares, contudo, avaliam que há espaço para negociação mesmo em caso de reeleição de Lula, devido à pressão de clubes de futebol e da mídia, especialmente pela questão publicitária.

O grupo de congressistas envolvido na modificação da MP é composto por deputados e senadores com proximidade a casas de apostas, à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a clubes. Eles defendem que a discussão seja postergada para após as eleições, a fim de diminuir a pressão social e facilitar as negociações. A MP, que já está em vigor, tem força de lei.

Prazos e Articulações para a Mudança da MP

O prazo inicial para a apresentação de emendas à medida provisória se encerrou antes do primeiro turno das eleições. No entanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), prorrogou o prazo até o dia 13, buscando desvincular a discussão do período de campanha eleitoral. A comissão responsável por analisar a proposta deve ser formada apenas em novembro.

Apostando em uma possível vitória bolsonarista, representantes do setor buscaram parlamentares como o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro. O deputado Dr. Luizinho (PP-RJ), coordenador da Frente Parlamentar do Jogo Responsável, também foi acionado para defender alterações no texto.

O deputado Júlio Arcoverde (PP-PI), vice-presidente do clube River-PI, propôs uma emenda para liberar apostas em eventos esportivos, mantendo o veto aos cassinos. Ele considera a decisão de Lula “muito assoberbada para ganhar votos” e alerta que a proibição afeta não apenas o futebol, mas também eventos culturais e festas populares.

Argumentos pela Flexibilização e Cenários Políticos

O deputado Bebeto (PP-RJ) protocolou quatro emendas defendendo o funcionamento das bets e focando a proibição no mercado ilegal. Segundo ele, “é onde se concentram os riscos reais ao consumidor, à integridade esportiva e à arrecadação pública”. Ele argumenta que a proibição ampla não elimina a demanda por apostas, como demonstram experiências internacionais e a própria trajetória recente do Brasil.

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Um senador e um deputado ligados à CBF consideram que a eventual vitória de Flávio Bolsonaro aumenta as chances de modificar a MP, liberando parte das apostas ou até mesmo derrubando toda a medida. A MP vigora por quatro meses, com prazos suspensos no recesso parlamentar, o que pode levar a votação até fevereiro de 2027, já no próximo governo.

Flávio Bolsonaro tem evitado defender publicamente a liberação das apostas esportivas, mas criticou em campanha apenas os cassinos online. Em setembro, ele afirmou que “vai estar proibido o jogo do tigrinho e vai estar proibido o cassino online”. Questionado posteriormente, ele atacou Lula e mencionou que votou contra a MP das bets, mas não respondeu diretamente se apoiará a liberação das apostas esportivas, pedindo “uma distinção muito honesta e com responsabilidade”.

O senador criticou a MP de Lula por causar insegurança jurídica e ter sido tomada às vésperas da eleição, o que, segundo ele, não se reverteu em votos e agrediu “a segurança jurídica, os clubes, diversas empresas”.

Negociações e Impactos Econômicos

Apesar da aposta do centrão na eleição de Flávio Bolsonaro, parlamentares admitem nos bastidores a possibilidade de negociar uma flexibilização com Lula após o período eleitoral. O argumento principal seria o benefício do patrocínio para clubes de futebol, outras modalidades esportivas e eventos culturais.

Parte do governo reconhece que a medida foi precipitada e pode impulsionar o mercado ilegal, mas considera difícil um recuo de Lula após ter utilizado a proibição como bandeira eleitoral, o que poderia ser interpretado como estelionato eleitoral.

As empresas de apostas argumentam que a liberação apenas das apostas esportivas, sem os cassinos online, seria insuficiente, pois estes representam 70% do lucro. Em 2025, o setor registrou quase R$ 9 bilhões em impostos pagos. Caso a MP seja mantida, o governo precisará compensar a renúncia de receita no orçamento de 2025 com outras medidas. O próprio Lula já havia regulamentado o setor em 2023, após anos de ilegalidade e sem pagamento de impostos durante os governos Temer e Bolsonaro, período em que houve grande expansão do mercado.

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