Sarampo em Alerta: Brasil Intensifica Ações Contra Surto nas Américas
O Ministério da Saúde do Brasil está reforçando as estratégias de prevenção e controle do sarampo, em resposta a um aumento preocupante de casos nos Estados Unidos e em outros países das Américas. A vigilância sanitária foi intensificada para evitar que o vírus, que já causou surtos no passado, volte a circular de forma sustentada no território brasileiro.
A preocupação se dá pelo fato de os Estados Unidos registrarem o maior número de casos anuais de sarampo em mais de 35 anos, com a grande maioria dos infectados sem histórico de vacinação. Nas Américas, países como Guatemala, México, Peru e Canadá também concentram um alto percentual de infecções confirmadas, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
No Brasil, até o início de outubro, foram identificados 52 casos de sarampo importados, concentrados principalmente em São Paulo (41), Amazonas (10) e Rio de Janeiro (1). Para conter a disseminação, equipes de saúde estão realizando busca ativa, investigação epidemiológica e bloqueios vacinais em áreas de maior risco, além de intensificar a vacinação em locais públicos. Conforme informação divulgada pelo Ministério da Saúde, o país mantém a certificação de livre da circulação endêmica do sarampo.
Ameaça Global e Resposta Brasileira
Os Estados Unidos enfrentam um cenário alarmante com o maior número de casos de sarampo em mais de três décadas. Conforme destacado em nota pelo Ministério da Saúde, mais de 90% dos infectados nos EUA não haviam sido vacinados ou tinham seu status vacinal desconhecido. Essa situação é um forte indicativo da vulnerabilidade que a baixa cobertura vacinal pode gerar.
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) aponta que, nas Américas, a maior parte dos casos de sarampo em 2026 está concentrada nos Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá, totalizando mais de 95% das ocorrências. Essa disseminação regional exige atenção redobrada por parte do Brasil.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde brasileiro tem atuado proativamente. Foram realizadas quatro grandes mobilizações de vacinação contra o sarampo ao longo de 2026, aplicando mais de 3,8 milhões de doses em São Paulo e cerca de 192 mil no Amazonas. A estratégia inclui a chamada “dose zero” para bebês entre 6 e 11 meses e 29 dias, além das doses de rotina aos 12 e 15 meses.
Histórico e Certificação do Brasil
O Brasil já enfrentou um surto significativo de sarampo em 2019, quando registrou mais de 20 mil casos. Na época, o país perdeu a certificação de eliminação do vírus após mais de um ano de transmissão sustentada. No entanto, em novembro de 2024, o país reconquistou a certificação de livre da circulação endêmica do sarampo, graças à interrupção da transmissão.
Entre 2023 e 2025, o Brasil confirmou 85 casos da doença, sem registrar óbitos. Esse período também foi marcado por um aumento na cobertura de todas as 16 vacinas do calendário infantil, com uma queda de 86% no número de crianças não vacinadas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
A cobertura da primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, atingiu 93,10% em 2025. Em São Paulo, o índice foi de 94,39%, e no Amazonas, de 89,54%. Esses números demonstram a importância da vacinação para manter o país protegido.
Vacinação: A Principal Ferramenta de Proteção
O Ministério da Saúde reforça que a vacina é a principal forma de prevenção contra o sarampo e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta incentiva que as pessoas com doses em atraso procurem uma unidade de saúde para atualizar suas cadernetas de vacinação, seguindo as orientações do Programa Nacional de Imunizações.
Manter as coberturas vacinais altas é fundamental para proteger a população e impedir que casos importados de sarampo voltem a desencadear uma circulação sustentada do vírus no país. A vigilância ativa e a imunização em massa são as chaves para a manutenção do status de país livre da circulação endêmica.
Ações Intensificadas em Áreas de Fronteira
Em regiões de tríplice fronteira, como entre Brasil, Colômbia e Peru, a resposta ao sarampo foi intensificada. Após a confirmação de casos importados, foram implementadas ações que incluem vacinação, busca ativa de pessoas não vacinadas, investigação de casos suspeitos, coleta de amostras para diagnóstico, identificação e acompanhamento de contatos, e bloqueio vacinal. Essas ações contam com o apoio de equipes federais para garantir a eficácia.
Em São Paulo, a imunização foi reforçada em municípios como a capital, Guarulhos, São Bernardo do Campo e Santo André, com foco em busca ativa, investigação de casos e bloqueio vacinal. Essas medidas são essenciais para conter rapidamente qualquer foco de transmissão do sarampo.