Petistas históricos, marcados por escândalos e prisões, se preparam para voltar ao Congresso em 2026.
José Dirceu, João Paulo Cunha e Delúbio Soares, nomes que transitaram pela cúpula do PT e estiveram envolvidos em episódios de grande repercussão nacional, como o Mensalão e a Lava Jato, agora ensaiam um retorno ao cenário eleitoral. Em 2026, buscam uma vaga na Câmara dos Deputados, mesmo com uma influência e espaço político menores dentro do partido.
As trajetórias desses petistas, entrelaçadas à história do PT, foram abaladas por processos judiciais e prisões. Agora, em suas campanhas, focam em momentos anteriores às dificuldades, exaltam a figura do presidente Lula e abordam pautas atuais, como a defesa da soberania e o fim da escala de trabalho 6 por 1.
Conforme apurado pelo jornal Folha de S.Paulo, a estratégia envolve a divulgação de vídeos e declarações que remetem a uma suposta perseguição política, buscando reabilitar suas imagens perante o eleitorado. A proximidade com o presidente Lula é um trunfo frequentemente explorado.
Delúbio Soares: “Amigo do Lula” e a busca pela dignidade
O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, de 70 anos, declara que seu retorno à política não visa um “resgate”, mas sim a necessidade de ampliar a bancada do partido e contribuir com o governo Lula. Em sua campanha a deputado federal por Goiás, estado onde tem forte atuação sindical, Delúbio adota um visual similar ao do presidente, com um chapéu panamá, e se apresenta como “o amigo do Lula”.
Vídeos de encontros com Lula e um depoimento gravado pelo presidente pedindo voto para Delúbio, classificando-o como “vítima da maior perseguição já feita na história desse país”, são utilizados na campanha. Lula pede a oportunidade para que Delúbio “recupere sua cidadania e sua dignidade”. Delúbio foi expulso do PT em 2005 após o escândalo do Mensalão e posteriormente alvo da Lava Jato, com condenações que foram anuladas ou tiveram suas penas revistas.
João Paulo Cunha: Experiência e a volta ao Congresso
João Paulo Cunha, 68 anos, também busca uma cadeira na Câmara dos Deputados, apostando na sua longa trajetória e proximidade com Lula. Fundador do PT em Osasco e com cinco mandatos como deputado federal, chegou a presidir a Câmara dos Deputados entre 2003 e 2005. Sua carreira foi afetada pelo Mensalão, que resultou em condenação por corrupção passiva e peculato, e prisão em 2014.
Após conseguir alvará de soltura em 2016, João Paulo retorna à disputa eleitoral com a promessa de mais experiência e disposição. Em suas redes sociais, divulga fotos antigas ao lado de Lula, afirmando seu compromisso em “ajudar o presidente Lula a fazer o Brasil avançar cada vez mais”.
Zé Dirceu: “Reparação Histórica” com Apoio Presidencial
José Dirceu, 80 anos, ex-ministro-chefe da Casa Civil e figura central do PT, também se candidata a deputado federal por São Paulo. Recebeu um depoimento de apoio de Lula, que descreveu o voto em Dirceu como uma “reparação histórica” a um dos “nomes mais brilhantes da política brasileira”.
Cassado em 2005 no escândalo do Mensalão, que também o levou à prisão, Dirceu teve condenações anuladas pelo STF em 2024. Lula destacou em seu vídeo a “tenacidade, capacidade política e muita coragem” de Dirceu para superar a “perseguição”. Dirceu, por sua vez, ressalta as décadas de luta e construção do PT.
André Vargas: Luta contra a “Tortura” da Lava Jato
André Vargas, 62 anos, ex-vice-presidente da Câmara e candidato a deputado federal pelo Paraná, teve processos anulados pelo STF em 2022 e 2023, nos quais foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Vargas, que esteve preso de 2015 a 2018, afirmou que a Lava Jato o submeteu a um “processo de tortura”.
Cassado em 2014 e primeiro político condenado pela Lava Jato, Vargas retornou ao PT em 2023. Sua campanha conta com o apoio da deputada federal Gleisi Hoffmann, que o descreve como experiente e leal ao presidente Lula e ao projeto do partido, destacando sua coragem ao enfrentar “momentos difíceis”.