Resistência às vacinas contra gripe e COVID-19 em gestantes é preocupante, alertam especialistas
A gravidez é um período de cuidados redobrados, e a vacinação se destaca como um pilar fundamental para a saúde da gestante e do bebê. No entanto, dados recentes do Ministério da Saúde revelam uma cobertura vacinal abaixo do ideal contra a gripe e a COVID-19 entre gestantes brasileiras, gerando preocupação entre profissionais de saúde.
Mulheres como Nataly Saldanha e Raissa Silva de Oliveira, que priorizaram a imunização durante o pré-natal, demonstram a importância de manter a carteira de vacinação em dia. Elas entendem que a vacinação é um ato de amor e proteção, garantindo a saúde para si e para seus filhos que estão por vir.
Apesar de exemplos positivos, a realidade é que muitas gestantes não atingem os níveis de proteção recomendados. Essa hesitação vacinal, muitas vezes alimentada por desinformação, tem consequências trágicas, aumentando o risco de complicações graves e até óbitos. Conforme informação divulgada pelo Ministério da Saúde, a vacinação é crucial para reverter este cenário preocupante.
Gestantes em Risco: O Perigo da Baixa Cobertura Vacinal
Os índices oficiais do Ministério da Saúde para 2025 apontam que apenas 55% das gestantes se vacinaram contra a COVID-19 e 63% contra a influenza. Embora os dados preliminares de 2026 mostrem uma melhora na vacinação contra a gripe, com 76% de cobertura, a vacinação contra a COVID-19 permanece estagnada em 55%. A meta para ambos os imunizantes é de 90% do público-alvo.
A hesitação vacinal tem um custo humano elevado. Dados levantados pelo Ministério da Saúde indicam que, de 2023 até o início de agosto de 2026, pelo menos 286 gestantes ou puérperas desenvolveram síndrome respiratória aguda grave (SRAG) após infecção pelo vírus Influenza, resultando em 25 mortes. No mesmo período, a COVID-19 causou 205 casos graves e 21 óbitos.
Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), atribui esses números à acomodação em relação à gripe e à desinformação sobre a COVID-19. Ela ressalta que a crença em vacinas experimentais ou feitas às pressas para a COVID-19 é um mito, já que a tecnologia é antiga e o desenvolvimento foi acelerado por colaboração global e investimento massivo.
A Ciência por Trás das Vacinas: Proteção Comprovada para Mãe e Filho
A vacinação se mostrou determinante na redução das taxas de SRAG em gestantes. Estudos comparativos antes e depois do início da vacinação neste público indicam que a taxa de casos mensais caiu para um terço, e a mortalidade tornou-se quase cinco vezes menor. Ainda assim, COVID-19 e influenza juntas respondem por quase 30% dos casos de SRAG em gestantes e puérperas em 2026, e mais de 50% das mortes.
As gestantes são um grupo de alto risco para essas doenças, por isso as vacinas contra gripe e COVID-19 são recomendadas em qualquer fase da gestação. Giuliane Lajos, ginecologista e especialista da Febrasgo, enfatiza que o sistema imunológico da mulher passa por alterações durante a gravidez, tornando-a mais vulnerável a infecções e a quadros mais graves.
A vacinação não só protege a mãe, mas também o bebê. Anticorpos desenvolvidos pela mãe são transmitidos pela placenta, oferecendo proteção ao recém-nascido até que ele possa ser vacinado, a partir dos 6 meses de idade. Ensaios clínicos demonstram que a vacinação contra a gripe, por exemplo, pode reduzir em cerca de 70% a ocorrência da doença nos primeiros meses de vida do bebê.
Calendário Vacinal Completo: Mais que uma Opção, uma Necessidade
O Ministério da Saúde disponibiliza no SUS, além das vacinas contra gripe e COVID-19, outras quatro essenciais para gestantes: hepatite B, dT, dTpa e VSR. A vacina contra febre amarela pode ser indicada em situações específicas. A ginecologista Giuliane Lajos considera essas vacinas parte de um checklist básico e não um cuidado extra.
A falta de imunização em bebês também é alarmante. Em 2026, até 19 de setembro, o Ministério da Saúde registrou quase 4 mil casos de SRAG em crianças menores de 2 anos por influenza, com 55 mortes. Casos graves de COVID-19 nessa faixa etária somam 808, com 18 mortes. Desde 2023, mais de 9.725 crianças com menos de 2 anos tiveram COVID-19 grave, com 223 óbitos.
A vacina dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, tem demonstrado grande sucesso. A cobertura vacinal em gestantes subiu de 34% em 2016 para 94% em 2025, e a vacinação de bebês se mantém próxima de 90%. Isso resultou na diminuição dos casos de coqueluche, embora ainda sejam expressivos, especialmente em bebês com menos de 6 meses.
Profissionais de Saúde e a Luta Contra a Desinformação
Especialistas como Flávia Bravo e Giuliane Lajos reforçam que as vacinas aplicadas durante a gravidez são seguras e extensivamente testadas, sem riscos comprovados para a gestante ou o feto. Elas criticam a disseminação de informações falsas sobre os imunizantes, como os ligados à vacina de COVID-19.
Profissionais de saúde são cobrados a serem mais enfáticos na orientação e no combate à desinformação. A médica Catarina Jatobá de Souza, que acompanha Nataly Saldanha, explica que o cartão de vacinação é verificado logo na primeira consulta, e as gestantes são encaminhadas para vacinação no mesmo dia, otimizando o processo.
Agentes comunitários de saúde também desempenham um papel crucial, reforçando a importância da vacinação em visitas domiciliares e alertando sobre atrasos. A conscientização ocorre em diversos espaços, desde grupos de gestantes até conversas informais, onde a troca de experiências entre mulheres vacinadas reforça a segurança e os benefícios da imunização.
A história da vacinação no Brasil é repleta de sucessos, como a erradicação do tétano neonatal e a quase eliminação da difteria. A expansão da vacinação contra VSR e a alta cobertura da dTpa em gestantes e bebês são exemplos recentes do poder da imunização em proteger as populações mais vulneráveis, incluindo os recém-nascidos, que dependem da proteção materna até poderem ser vacinados.