Indígenas de Boa Vista celebram sucesso na criação de tambaqui com colheita expressiva de duas toneladas
A comunidade indígena Lago Grande, localizada na zona rural de Boa Vista, na região do Baixo São Marcos, celebrou um marco importante para a sustentabilidade e a geração de renda local. Após nove meses de dedicação e cuidado, os agricultores indígenas realizaram a primeira despesca de tambaqui de um projeto inovador, retirando mais de **duas toneladas** do peixe dos tanques de criação.
Esta iniciativa pioneira faz parte do projeto municipal Moro-Morí, criado em 2023 com o objetivo de promover a autonomia e o bem-estar das comunidades indígenas. A escolha do tambaqui, espécie de grande apreço na culinária amazônica e um dos peixes mais comercializados em Roraima, demonstra a visão estratégica do projeto em aliar tradição e desenvolvimento.
A primeira despesca, que reuniu cerca de 15 famílias, foi destaque no programa Amazônia Agro deste domingo (20). O sucesso da operação representa não apenas um avanço na produção de alimentos, mas também um forte incentivo para a continuidade e ampliação das atividades, conforme relatado por autoridades e coordenadores locais.
Projeto Moro-Morí impulsiona segurança alimentar e renda familiar
O projeto Moro-Morí, que está na sua primeira despesca significativa, tem como principal objetivo garantir que a produção de peixes sirva tanto para o consumo das famílias quanto para a comercialização. Segundo Cezar Riva, secretário municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas, a iniciativa busca dar autonomia aos moradores da comunidade Lago Grande.
“Uma parte desses peixes será destinada à comercialização e a outra consumida dentro da própria comunidade. Isso melhora a qualidade nutricional da alimentação, gera renda para as pessoas envolvidas e incentiva a continuidade do projeto”, explicou Riva. A expectativa é que, com o sucesso inicial, a comunidade possa expandir suas operações de piscicultura.
Tambaqui: um peixe estratégico para a Amazônia e para Roraima
O tambaqui (Colossoma macropomum) foi a espécie escolhida para a criação nos tanques do projeto Moro-Morí. Essa escolha não é acidental, pois o tambaqui é amplamente reconhecido como o peixe mais consumido na Amazônia e o principal explorado no mercado de Roraima. Sua criação em cativeiro, como demonstrado pela comunidade Lago Grande, apresenta um grande potencial econômico e de segurança alimentar.
Manoel Serafim, coordenador do projeto na comunidade, ressaltou a importância da iniciativa para a alimentação sustentável. “Representa bastante na alimentação sustentável. Só tenho mesmo a agradecer e incentivar outras famílias, pois temos bastante para cuidar e tratar bem da nossa comunidade”, afirmou Serafim, destacando o sentimento de gratidão e o estímulo ao engajamento comunitário.
Expansão da piscicultura em comunidades indígenas de Boa Vista
Desde o início do ano passado, o projeto Moro-Morí já alcançou uma produção impressionante de cerca de 11 toneladas de peixes. Além da comunidade Lago Grande, a iniciativa de criação de peixes em tanques está presente em outras localidades indígenas de Boa Vista, como Ilha, Serra da Moça, Darôra, Campo Alegre e Vista Alegre. Essa expansão demonstra o sucesso e a replicabilidade do modelo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento das comunidades indígenas na região.
A primeira despesca de mais de duas toneladas de tambaqui na comunidade Lago Grande é um exemplo claro de como a piscicultura pode gerar benefícios concretos, unindo a preservação cultural com o progresso econômico e a melhoria da qualidade de vida para os povos indígenas.