Governadores buscam incluir gás natural no Redata para impulsionar investimento em data centers
Os governadores de Sergipe e do Amazonas, Fábio Mitidieri (PSD-SE) e Roberto Cidade (União Brasil-AM), respectivamente, enviaram ofícios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (17.set.2026). A principal demanda é a inclusão do gás natural entre as fontes de suprimento elétrico permitidas para data centers que se enquadram no Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter).
A argumentação dos gestores estaduais gira em torno da necessidade de oferecer condições competitivas para que seus estados atraiam investimentos na instalação desses empreendimentos tecnológicos de grande porte. A decisão sobre quais fontes de energia serão aceitas ainda está pendente de definição pelo governo federal, mesmo após a sanção da lei que institui os incentivos fiscais.
A inclusão do gás natural permitiria a estados como Sergipe e Amazonas competir de forma mais eficaz na corrida pela instalação de data centers. A expectativa é que essa medida gere uma demanda firme por energia, justificando novos investimentos em infraestrutura e fomentando o desenvolvimento econômico regional. A decisão final sobre as fontes de energia elegíveis será publicada em portaria separada, segundo informou a equipe técnica do Ministério da Fazenda.
Sergipe aposta no gás natural para atrair data centers
O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, destacou que o estado possui condições favoráveis para sediar data centers, mas ressaltou que a exclusão do gás natural do Redata poderia comprometer um projeto de grande porte. Sergipe conta com um parque termelétrico a gás natural, um terminal de regaseificação de GNL e reservas significativas do insumo, exploradas pela Petrobras.
Mitidieri afirmou que o estado está trabalhando para viabilizar um complexo de data centers com capacidade projetada de 1 GW na Zona de Processamento de Exportação (ZPE). Ele alertou que a exclusão ou restrição do uso do gás natural atingiria Sergipe de forma desproporcional.
Amazonas defende concorrência igualitária
O governador do Amazonas, Roberto Cidade, argumentou que a exclusão do gás natural seria discriminatória e prejudicaria estados com infraestrutura menos desenvolvida. Segundo ele, a medida impediria que esses locais competissem pela instalação de centros de dados, o que, por sua vez, deixaria de gerar a demanda necessária para justificar novos investimentos em infraestrutura.
O ofício enviado pelo Amazonas ressalta que o estado não busca tratamento privilegiado, mas sim o direito de competir em igualdade de condições. A reivindicação é para que a regulamentação do Redata permita a utilização do gás natural como fonte de energia, garantindo oportunidades para todos os estados.
Debate sobre fontes de energia no Redata
A definição das fontes de energia permitidas no Redata é um dos pontos cruciais da regulamentação do programa. Inicialmente, a proposta era que apenas data centers abastecidos por energia 100% renovável pudessem receber os incentivos fiscais. No entanto, uma alteração no Senado incluiu fontes consideradas de “baixa emissão”, abrindo espaço para o uso do gás natural.
O Ministério de Minas e Energia, por meio do ministro Alexandre Silveira, já se manifestou a favor do uso do gás natural como alternativa viável para a implantação de grandes centros de dados no país. Contudo, críticos da medida alertam que a inclusão de fontes não renováveis, mesmo que de baixa emissão, pode ir contra as metas de descarbonização e afetar a competitividade do Brasil na atração de empresas de tecnologia.
Decisão pendente e impactos econômicos
A decisão sobre quais fontes de energia serão permitidas no Redata ainda está em aberto, gerando incertezas para os estados e o setor privado. A inclusão do gás natural é vista por muitos como essencial para garantir o desenvolvimento do setor de data centers no Brasil, especialmente em regiões com forte potencial de produção e infraestrutura para o insumo.
A falta de uma definição rápida pode adiar investimentos e fazer com que o país perca oportunidades para outras nações que oferecem regimes mais flexíveis. A expectativa é que o governo federal, após ouvir os pleitos dos governadores e demais setores envolvidos, tome uma decisão que equilibre as metas ambientais com a necessidade de desenvolvimento econômico e atração de investimentos.